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Posted in Uncategorized on Fevereiro 14, 2008 by LúcioSomos todos flores no jardim da vovó
Posted in Considerações on Fevereiro 12, 2008 by LúcioFaz dois dias que voltei da cidade dos meus antepassados e ainda sinto sua presença. Estarei tranqüilo enquanto houver dentro de mim ainda que um grão daquela terra.
Fui pensando em matar saudades. Planejei-me para ficar 10 dias por lá, mesmo sabendo que não há muita agitação. Houve momentos de puro marasmo, ócio e uma vontade louca de fazer alguma coisa. Um pouco de solidão também aconteceu. Houve tardes em que já havia feito tudo o que poderia fazer, a casa estava vazia e eu prostrado no sofá num canto da casa. Cheguei até a sentir saudade da época em que fumava, o cigarro ocupa lugar na vida da gente. Eu teria fumado horrores, certamente, mas não, passei pela vontade de fumar incólume, sinto-me muito melhor em não ter recaído nesse velho vício/hábito.
Aquela cidade tem uma força dentro de mim, a força das raízes profundas, a força do sangue quente e caldaloso. Foi um tempo ótimo o que passei lá, esses dez dias me fizeram enxergar algumas coisas. Uma delas foi que a presença da família na minha vida é um grande diferenciador meu. Tenho certeza de que grande parte da minha personalidade foi formada na cozinha da vovó, grande e calorosa, todos juntos fazendo uma refeição sob o olhar de vovó e vovô. Adoro falar da minha família, mesmo quando era criança sentia orgulho dos meus 11 tios e tias, seus respectivos cônjuges, namorados, mancebos e meus muitos primos e primas queridas. Um dia falo deles um pouco mais.
Meu carnaval foi muito tranqüilo, baralho, vinho, alguma televisão e contemplação na varanda ou na frente da padaria. Ah, e um delicioso sorvete italiano só fabricado lá. Sabe o que ficou faltando? Um bom banho de cachoeira, mas isso não é tão difícil. Saí de lá renovado, minhas raízes mais uma vez sorvem daquela terra os nutrientes, a vida.
Dos planos
Posted in Uncategorized on Janeiro 31, 2008 by LúcioAmanhã parto para a cidade natal de meu pai. Felizmente dessa vez vou de avião e não precisarei ficar as 12 horas no ônibus. Maravilha.
Mas hoje minha irmã chega e juntos vamos à peça do nosso cunhado. É a minha segunda vez e a primeira dela, estou curioso para saber sua reação, já que a peça é toda interativa e fazem coisas com a platéia vendada e descalça.
Das duas de hidrogênio e uma de oxigênio
Posted in dia-a-dia on Janeiro 29, 2008 by LúcioDa voz humana, de São Sebastião e de Jane Chiesse
Posted in Considerações, Música on Janeiro 20, 2008 by LúcioEssa semana foi puxada. Me inscrevi numa “jornada” de canto coral. A semana inteira ficamos das 10h às 18h somente por conta do canto coral. Previamente recebemos as cinco partituras que iriam ser trabalhadas e que deveriam ser estudadas em casa, antes de começar a jornada.
O regente responsável é um excelente profissional, muito bem reconhecido no meio e muito admirado. Foi muito bom, éramos umas 70 pessoas ali com, pelo menos, um objetivo comum, o canto coral em si. Houve momentos de discussão, tendo como princípio as próprias peças do repertório selecionado. Cada dia começávamos com uma das peças e a discussão ia para várias direções.
Foi cansativo sim, porém foi lindo ver todas aquelas pessoas empenhadas em um único objetivo. Todos participando e querendo o melhor, querendo vencer barreiras, as próprias barreiras, querendo aprender, melhorar. Pessoas de todas as idades, tipos, formatos, origens, todos buscando dentro de si a melhor maneira de fazer as coisas.
Lidar com a voz é algo de um poder incrível. Muda tudo dentro de você, a sua história passa a ser dividida em antes e depois de ter começado a cantar. Comigo foi assim, depois que comecei a cantar, a explorar o universo de vibrações que há dentro de mim, tudo mudou. E sou mais feliz hoje por causa disso, tenho certeza.
É uma experiência que não esquecerei. Todos dividindo o espaço e o ar tão harmoniosamente.
E hoje é dia de São Sebastião, padroeiro tanto do Rio de Janeiro quanto da minha cidade no interior. E dizem também ser padroeiro dos gays. Lá na minha cidade tem quermesse na rua principal durante o fim-de-semana todo.
Aqui no Rio o tempo está abafado, depois da chuva de ontem. Continua quente, um mormaço dá aquela impressão de panela de pressão. Tudo quente e esbranquiçado.
Reminiscência: pensamento ou impressão que não chegam a ser esquecidos
Posted in Uncategorized on Janeiro 6, 2008 by LúcioDesde criança tenho essa sensação que estou tendo agora.
Quando eu era criança, no colégio, em outubro já se começava a pensar no fim do ano. As provas iam chegando e aquele sentimento de término ia se instalando. O calor ia aumentando e uma ansiedade aumentava no peito.
Eu já começava em pensar em Natal e ano novo, em festa e presentes. Meu colégio católico fazia preparativos para a festa de Ação de Graças e Natal. Minha mãe e outras mães ajudavam na confecção dos enfeites e a arrumação dos mesmo na quadra poliesportiva. Tudo era concebido, comandado e supervisionado pela tia Terezinha, a professora de artes. Muitas vezes eu também fui ajudar, eu adorava o clima que ficava. Todos sujos de cola e purpurina. Eu também gostava de ir para o colégio fora do horário de aula, geralmente as reuniões para a festa eram feitas em fins-de-semana, eu ia para encontrar meus colegas e ficar no colégio brincando ou andando de bicicleta.
Então tudo ia sendo preparado para o fim do ano. Juntamente com a festa no colégio, tinha os preparativos para a festa na minha casa que eu também gostava de tomar parte. Via os enfeites e fazia um relatório do que precisávamos para comprar. Bolas de Natal, festões, castiçais, eu gerenciava essas coisas.
Aí ia chegando as provas no colégio e eu, claro, ia passando em todas as matérias. Meu colégio tinha um sistema que os alunos iam sendo dispensados das aulas em que já tinham feito as provas e tinham passado direto, ficavam os que precisavam de recuperação. Então as aulas iam gradativamente acabando e as férias gradativamente começando. Às vezes fazíamos amigo-oculto na casa de alguém que tivesse churrasqueira e piscina.
E assim tudo ia se encaminhando para o clímax que eram as festas lá em casa. Sempre comemoramos com família toda, muita gente, muita comida. E muitos presentes. A festa de Natal era uma maravilha. Minha tia, que é minha madrinha, e minha prima vinham, às vezes minhas tias-avós e seus maridos também vinham e a casa ficava cheia de gente. Todos dormiam onde desse. Minha melhor lembrança desses dias era acordar e ficar na cama ouvindo as pessoas acordando, indo ao banheiro e o barulho de atividade aumentando. As crianças se levantavam e iam brincar com seus brinquedos novos. Esses dias eram especiais.
A maioria dos que vinham para o Natal ficavam até o Ano Novo. Aí a casa ficava cheia por mais de uma semana. No ano novo a festa era igualmente grande, só mudava o cardápio e não recebíamos presentes, claro. Um monte de tradições que tínhamos que dar conta, como bater no prato à meia-noite, comer lentilha de pé na cadeira sobretudo rir muito das minhas tias-avós, principalmente a tia Cida, a irmã do meio, a fanfarrona.
Então as pessoas iam embora de volta para suas casas e a nossa ficava novamente com o mesmo contingente de sempre. E aí me dava aquela sensação que é a que tenho agora, a de que não havia mais nada a se fazer. Um misto de medo do vazio com uma excitação pelas férias e pela falta de ter que ir pro colégio. Passei tanto tempo planejando o Natal e o ano novo que agora me sinto vazio de planos para o futuro próximo. Isso é só uma sensação que vem e que passa, tenho tanta coisa para pensar, na verdade.
Ah, mas os parentes vinham e iam embora, mas não voltava tudo ao normal, ficava uma sensação de dever cumprido. E agora eu tinha que pensar de que eu ia brincar, ó decisão difícil!
Do silêncio imóvel
Posted in Uncategorized on Janeiro 1, 2008 by LúcioE como foi a passagem de ano para vocês? A minha foi frugal. Para começar ficamos vendo a caixa do Twin Peaks que dei de Natal para meu amor, vimos dois capítulos em seguida.
Logo após repartimos um mini empadão, foi como se fosse nossa ceia, e na meia-noite abrimos o prosecco e brindamos e ficamos felizes. Colocamos as câmeras na varanda para filmarem os fogos que estouravam em todo lugar.
Depois nos recolhemos para nosso aposento e nos preparamos para dormir. E dormimos até acordar hoje às 8 da manhã. Em ponto.
A cidade está muito calma e silenciosa. Uma névoa branca, seca, domina a paisagem como se fosse ainda a fumaça dos fogos de ontem. Começo a ouvir barulhos de louça sendo lavada nos outros apartamentos, um ou outro rojão estoura atrasado. A vida continua, ela não sabe que é um ano novo. Sensação boa, de quem acaba de comprar um caderno.
Do tempo que ainda resta
Posted in Considerações on Dezembro 31, 2007 by LúcioO meu Natal foi ótimo. Família reunida, amigos, sorrisos, presentes, comilança da boa. Fuji para minha cidadezinha durante uma semana e pude desfrutar da vida menos barulhenta de uma cidade menor. Saí pouco de casa nesse período e me diverti horrores.
Meu ano novo, que é daqui a pouco, vai ser só com meu amor e o céu estrelado, hoje enfeitado com os fogos. Já começo a sentir o cheiro de ceia dos outros apartamentos, às vezes invade um perfume de alguém tomando banho, se preparando para sair para alguma festa, ou para a festa em casa mesmo. Olhando as janelas alheias, vejo televisões ligadas e uma alegria me preenche.
A noite vai ser calorenta. O céu está de um azul indescritível. Estou feliz.
Posted in dia-a-dia on Dezembro 22, 2007 by Lúcio
E é isso, estou aqui arrumando mala para ir para minha terrinha e passar esses dias com minha família querida. Meu pai já chegou do Espírito Santo, meus irmãos já estão lá e só falta o filho do meio para tudo ficar completo.
Geralmente quem prepara a ceia é meu pai assistido por minha irmã, os dois são ótimos na cozinha e sempre preparam quitutes que são lembrados ao longo dos anos. Minha mãe se preocupa mais com arrumação da casa, os enfeites e a mesa da ceia. Eu a ajudo. Nosso irmão mais velho fica à parte da arrumação, mas elogia muito tudo depois. Nosso outro irmão, o postiço, também ajuda no que puder, leva e traz alguém do supermercado e empresta sua alegria ao momento do Natal em família.
Às vezes um amigo ou outro passa o Natal conosco, de modo a “fugir” de sua própria família ou sua própria solidão. Todos os amigos são bem vindos à nossa mesa sempre e às vezes minha mãe até prepara um presente surpresa improvisado.
Temos a difundida tradição do amigo oculto entre nós. Tradição essa que se iniciou em tempos obscuros de privações materiais e se perpetuou depois que tudo melhorou. Amigo oculto à parte, eu sempre compro presente para meus pais, já que eles têm gastos comigo e tudo o mais, gosto dessa pequena retribuição. Esse ano minha mãe então vai ganhar dois presentes.
Bom, as roupas já estão separadas, dobradas e empilhadas para entrarem na mochila. Tenho que me lembrar de tudo, carregadores, fones, cds, livro para ler na rodoviária esperando o ônibus, já que deve estar lotada, cartões, câmera… Meu amor ainda dorme e estou esperando-o para tomarmos café juntos. O tempo está abafado, mas não está calor, o que é muito bom. Ah, outra coisa para lembrar é o guarda-chuva. Estou com fome.
Das atormentadas calçadas
Posted in dia-a-dia on Dezembro 12, 2007 by LúcioCoisa boa que é ver a chuva com meu amor na varanda. Essa tarde calorenta, o cansaço, a irritação do ano acumulada e vem a chuva com seus doces olores que colorem o em-volta com uma aura de suspensão.
O calor não diminuiu, o sol voltou a brilhar, mas as plantinhas tiveram o seu de-beber garantido por enquanto. É também por elas que ficamos contentes. Na rua os pegos de surpresa corriam e se protegiam embaixo de qualquer coisa.
Esses momentos proporcionam encontros que antes nunca seriam possíveis. Debaixo de uma marquise uma peruona loura e maquiadíssima dividia o espaço com um pedreiro suarento e um também suado rapaz de academia. No bar os bêbados habituais receberam a visita das estudantes uniformizadas e pareciam felizes com isso. Ao que tudo indicava, todos estavam em harmonia com todos, havia algo em comum entre eles. Um silêncio barulhento preenchia as ruas enquanto a água corria pela sarjeta sem nem se lembrar que um momento atrás era ela quem chovia.
E a chuva parou. E os grupos se desfizeram. A peruona continuou seu caminho para a loja de conserto de roupas. O pedreiro suarento saiu antes de todos e ainda pegou um pouco da chuva e voltou a descarregar os tijolos do caminhão mal parado. O rapaz tomou uma cerveja, fumou um cigarro e rumou para casa para se banhar e ir para a faculdade. As estudantes foram para o ponto de ônibus mais perto e entraram no primeiro 422 que passou, sorte delas que era com ar-condicionado.
E a vida volta. Um arco-íris tentou aparecer, mas teve preguiça. O morro está mais verde, o céu está salpicado de branco, as ruas negras e os telhados vermelhos.
“Um tico-tico mora ao lado e, passeando no molhado, adivinhou a primavera!”