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Maroquinhas Frufru

Postado em Uncategorized em Maio 12, 2008 por Lúcio

Como prometido, aqui vai uma pormenorização sobre a opereta “Maroquinhas Frufru”, de Ernst Mahle. Apresentada pela primeira vez em 1961 pelo Tablado.

Uma cidadezinha de interior. Uma praça com um poço, um poste e bancos. Cosme e Damião estão fazendo a ronda e comentam “É hoje a festa”. Daí para frente tem início o dia que transformará a vida de todos os personagens envolvidos. Uma festa à fantasia, um concurso de bolos de chocolate, cinco concorrentes (Maroquinhas, Bolandina e as três Flores) e um colar de pérolas como prêmio. Paixões, intereresses, ardilosidades. No fim tudo se resolve, mas não volta a ser como antes.

A estrutura musical é simples. Constituída basicamente de recitativos, a opereta é leve e rápida. Algumas arietas aqui e ali temperam os diálogos. Destaque para a ária da receita (“125 gramas de manteiga…”) , cantada pelos juízes de bolo, e para a canção “Ah, se meu bolo ganhar”, cantada pelos participantes do concurso. Dois atos sem interrupção.

A instrumentação também é simples, um quinteto de cordas, um quarteto de madeiras, uma trompa e percussão média, precisando de um total de 11 elementos. É o suficiente para criar os climas, amarrar a história e fazer pano de fundo.

A opereta terá récitas no dias 27, 28, 29 e 30 de maio, na Escola de Música da UFRJ (Rua do Passeio, 98, Lapa). Horários: dia 27 (terça-feira) às 16h, dia 28 (quarta-feira) às 18h30, dia 29 (quinta-feira) às 15h e dia 30 (sexta-feira) às 18h30.

Direção musical de Maria José Chevitarese. Regência de Danielly Souza e Ana Cláudia Reis. Direção cênica de Arnaldo Marques.

Dos ciclos completos

Postado em Uncategorized em Abril 2, 2008 por Lúcio

Vejo o tempo mudando. Vejo as pessoas mudando. Vejo-me mudando. Mudado. Estou diferente, tenho certeza. Meu aniversário passou e nem me dei muita conta disso. Os amigos (quase) todos se lembraram, mandaram seus melhores sentimentos em forma de palavra escrita, falada, pensada, e fiquei muito feliz com isso.

O problema é que antes eu sentia quase organicamente a mudança, o dia do aniversário. Até o ano passado eu seria capaz de reconhecê-lo mesmo se tivesse uma amnésia. É um dia completamente diferente dos outros. A luz, as sombras, o som, as cores, tudo ficava diferente sem que eu saiba especificamente qual a diferença de que tanto falo.

Me lembro dessa sensação quando ainda era criança. Não era felicidade, nem tristeza tampouco. Mas havia um constrangimento em ter tanta atenção voltada para mim. Nunca soube ser o centro das atenções mesmo que quisesse muito ser. É muita responsabilidade. Hoje sei melhor como administrar esse sentimento estranho, mas está longe de ser ideal.

Talvez o fato de eu ter passado o dia do meu aniversário de cama com uma intoxicação alimentar tenha ajudado para que eu nem me lembrasse do fato de ter nascido há exatamente 31 anos. Também estou tendo dificuldades em achar coisas boas no fato de ter 31 anos…

De todas as coisas

Postado em Uncategorized em Fevereiro 26, 2008 por Lúcio

Uma coisa que definitivamente me tira completamente a vontade de escrever é o calor. Parece frescura, mas simplesmente fico completamente inerte, com vontade de dormir e acordar em maio.

Bom, desde que voltei da cidade dos meus antepassados não tenho feito muita coisa não. Estou de férias ainda, escrevi umas duas músicas, ouvi poucas. Estou trabalhando na minha série de “Fugas Domésticas”, que têm basicamente a forma de uma fuga escolástica, mas que aos poucos vão se soltando e se desconstruindo. As três primeiras foram compostas como trabalho para a aula de Contraponto; são originalmente para coro,mas adaptei-as para quarteto de madeiras (flauta, oboé, clarinete e fagote, para quem não conhece). A partir da quarta comecei já a pensar nessa formação. A oitava é uma das que mais gosto, pois já o tema contém elementos contemporâneos e no conteúdo também consegui dar um ar mais moderno. A 11ª ficou bem cromática e eu adorei. Acabei de escrever a 12ª e a fiz totalmente usando escalas octatônicas, o que dar um ar esquisito, sempre mal resolvido, como se ela contivesse somente acordes diminutos. Não ficou longa, dura uns 2 minutos e meio, e no final não agüentei e coloquei uma cadência plagal, contrastando com todo o resto e dando um fechamento que relaxa a gente. Não precisava, gosto de coisas inesperadas e terminá-la suspensa, sem a resolução, traria uma surpresa, mas preferi a cadência. Pelo menos não terminei com a picarda, o que já seria um pouco demais.

Assisti “Sweeney Todd” e adorei. Conversei com dois amigos meus que também viram e eles não se empolgaram muito com o filme. O principal argumento dos dois é que era “musical demais”. Um deles não é muito fã de musicais mesmo, então um filme como esse, quase uma ópera, pode ser uma experiência enfadonha. Eu gostei de tudo, inclusive do fato de ser uma quase ópera. Achei a música bem feita, bem estruturada, contemporânea e no limiar entre música “clássica” e música “não-clássica”. Achei o fato dos atores, que não são cantores primeiramente, cantarem suas partes sem dublagem, o que dá uma veracidade maior ao filme. Gostei do fato de parecer que Tim Burton perdeu uma inocência que sempre transparecia em seus filmes. Em “Sweeney…” não há redenção, nem esperança, nem um final feliz. Como eu disse, gosto de surpresas. Nem todas, mas gosto.

Ultimamente também assisti “O Labirinto do Fauno” e fiquei um pouco fosco (ou “turvo”, como dizia meu amigo Mutatis Mutandis) depois, tamanha a tristeza e violência. Gostei da história, dos atores, dos cenários e tudo. Um filme muito bom.

Estou adorando a nova temporada de Desperate Housewives.

E por último, estou igualmente adorando American Idol 7. Achei nível dos cantores bem alto, difícil de escolher um só.

Ah, e não se esqueçam que dia 7 de março de Carmina Burana na Sala Cecília Meireles, às 20h. É a versão “de câmara”, com dois pianos (Duo Bretas-Kevorkian) e percussão, mais coros adulto e infantil e solistas. Regência de Ricardo Rocha.

P.S.: Só consegui escrever esse post porque o tempo fechou, as nuvens encaparam a cidade e o vento fresco conseguiu soprar.

Flickr

Postado em Uncategorized em Fevereiro 14, 2008 por Lúcio

This is a test post from flickr, a fancy photo sharing thing.

Dos planos

Postado em Uncategorized em Janeiro 31, 2008 por Lúcio

Amanhã parto para a cidade natal de meu pai. Felizmente dessa vez vou de avião e não precisarei ficar as 12 horas no ônibus. Maravilha.

Mas hoje minha irmã chega e juntos vamos à peça do nosso cunhado. É a minha segunda vez e a primeira dela, estou curioso para saber sua reação, já que a peça é toda interativa e fazem coisas com a platéia vendada e descalça.

Reminiscência: pensamento ou impressão que não chegam a ser esquecidos

Postado em Uncategorized em Janeiro 6, 2008 por Lúcio

Desde criança tenho essa sensação que estou tendo agora.

Quando eu era criança, no colégio, em outubro já se começava a pensar no fim do ano. As provas iam chegando e aquele sentimento de término ia se instalando. O calor ia aumentando e uma ansiedade aumentava no peito.

Eu já começava em pensar em Natal e ano novo, em festa e presentes. Meu colégio católico fazia preparativos para a festa de Ação de Graças e Natal. Minha mãe e outras mães ajudavam na confecção dos enfeites e a arrumação dos mesmo na quadra poliesportiva. Tudo era concebido, comandado e supervisionado pela tia Terezinha, a professora de artes. Muitas vezes eu também fui ajudar, eu adorava o clima que ficava. Todos sujos de cola e purpurina. Eu também gostava de ir para o colégio fora do horário de aula, geralmente as reuniões para a festa eram feitas em fins-de-semana, eu ia para encontrar meus colegas e ficar no colégio brincando ou andando de bicicleta.

Então tudo ia sendo preparado para o fim do ano. Juntamente com a festa no colégio, tinha os preparativos para a festa na minha casa que eu também gostava de tomar parte. Via os enfeites e fazia um relatório do que precisávamos para comprar. Bolas de Natal, festões, castiçais, eu gerenciava essas coisas.

Aí ia chegando as provas no colégio e eu, claro, ia passando em todas as matérias. Meu colégio tinha um sistema que os alunos iam sendo dispensados das aulas em que já tinham feito as provas e tinham passado direto, ficavam os que precisavam de recuperação. Então as aulas iam gradativamente acabando e as férias gradativamente começando. Às vezes fazíamos amigo-oculto na casa de alguém que tivesse churrasqueira e piscina.

E assim tudo ia se encaminhando para o clímax que eram as festas lá em casa. Sempre comemoramos com família toda, muita gente, muita comida. E muitos presentes. A festa de Natal era uma maravilha. Minha tia, que é minha madrinha, e minha prima vinham, às vezes minhas tias-avós e seus maridos também vinham e a casa ficava cheia de gente. Todos dormiam onde desse. Minha melhor lembrança desses dias era acordar e ficar na cama ouvindo as pessoas acordando, indo ao banheiro e o barulho de atividade aumentando. As crianças se levantavam e iam brincar com seus brinquedos novos. Esses dias eram especiais.

A maioria dos que vinham para o Natal ficavam até o Ano Novo. Aí a casa ficava cheia por mais de uma semana. No ano novo a festa era igualmente grande, só mudava o cardápio e não recebíamos presentes, claro. Um monte de tradições que tínhamos que dar conta, como bater no prato à meia-noite, comer lentilha de pé na cadeira sobretudo rir muito das minhas tias-avós, principalmente a tia Cida, a irmã do meio, a fanfarrona.

Então as pessoas iam embora de volta para suas casas e a nossa ficava novamente com o mesmo contingente de sempre. E aí me dava aquela sensação que é a que tenho agora, a de que não havia mais nada a se fazer. Um misto de medo do vazio com uma excitação pelas férias e pela falta de ter que ir pro colégio. Passei tanto tempo planejando o Natal e o ano novo que agora me sinto vazio de planos para o futuro próximo. Isso é só uma sensação que vem e que passa, tenho tanta coisa para pensar, na verdade.

Ah, mas os parentes vinham e iam embora, mas não voltava tudo ao normal, ficava uma sensação de dever cumprido. E agora eu tinha que pensar de que eu ia brincar, ó decisão difícil!

Do silêncio imóvel

Postado em Uncategorized em Janeiro 1, 2008 por Lúcio

E como foi a passagem de ano para vocês? A minha foi frugal. Para começar ficamos vendo a caixa do Twin Peaks que dei de Natal para meu amor, vimos dois capítulos em seguida.

Logo após repartimos um mini empadão, foi como se fosse nossa ceia, e na meia-noite abrimos o prosecco e brindamos e ficamos felizes. Colocamos as câmeras na varanda para filmarem os fogos que estouravam em todo lugar.

Depois nos recolhemos para nosso aposento e nos preparamos para dormir. E dormimos até acordar hoje às 8 da manhã. Em ponto.

A cidade está muito calma e silenciosa. Uma névoa branca, seca, domina a paisagem como se fosse ainda a fumaça dos fogos de ontem. Começo a ouvir barulhos de louça sendo lavada nos outros apartamentos, um ou outro rojão estoura atrasado. A vida continua, ela não sabe que é um ano novo. Sensação boa, de quem acaba de comprar um caderno.

O Sentido da Vida

Postado em Uncategorized em Novembro 17, 2007 por Lúcio

Sempre que passa “O Sentido da Vida”, do Monty Python, eu assisto de onde está até o fim, é muito bom. Hoje peguei na hora da graaaaande família de Yorkshire, que o pai se lamenta em ser católico pois não pode usar camisinha. Eu adoro o número musical, é muito bem feito! A música “Every Sperm Is Sacred” é cantada como numa cena de filme musical de Hollywood, daqueles mais ingênuos onde a ação toda pára para o número acontecer e depois se retoma de onde estava, como se nada tivesse acontecido. E eles botam pra cantar padres, freiras, bispos e santos, até cadáver! Mas a parte que eu mais gosto, e acho que a maioria também, é a parte da Morte. Ela vai buscar dois casais jantando e são envenenados pela mousse de salmão. Adoro quando Michael Palin, no papel de Debbie Katzenberg, pergunta para a Morte como poderiam tê-los todos morrido “at the same time”, fazendo uma cara de esperta. E tem também o número final “Is Christmas In Heaven” muito bem feito, imitando aqueles shows cafonas de Las Vegas ou do Moulin Rouge.

Tem também a aula de sexo, onde eles fazem sátira com o jeito nonchalant dos ingleses, até dos adolescentes. Uma aula em que o professor convida sua esposa para demonstrarem aos alunos como funciona um intercouse. E os alunos assistem meio entediados, como quem vê um experimento de química, ou algum slide de biologia. Um presta atenção no jogo de rugby, o outro brinca com uma ocarina e assim a aula prossegue, mas tem um casal transando na sala, for Christ sake! Mas a eles não causa muita espécie.

O tempo todo, não só nesse quadro, eles gozam do jeito de viver inglês, todos muito civilizados e achando tudo muito natural. Eles adoram falar disso, desde o programa na televisão.

Dos arcos, dos verdes e dos olhos acinzentados de minha mãe

Postado em Uncategorized em Novembro 12, 2007 por Lúcio

Nesse fim-de-semana fui para minha cidadezinha visitar meus familiares que continuam e/ou que voltaram para lá.

Saí da faculdade às 20h45 e fui para a rodoviária, consegui pegar o ônibus das 21h. Todo contente sentei no meu lugar, um dos últimos, no corredor, pluguei-me ao meu ora indispensável tocador de mp3 e segui feliz e encalorado para uns dias calmos na minha cidadezinha à beira do que foi, um dia, um dos principais rios do Brasil. Antes navegável em quase toda sua extensão, continua belo, mas assoreado e poluído. Uma bonita imagem se obtém indo, ao por-do-sol, para a ponte que o cruza e observar o rio se incendiar com o sol que o atinge, afunda, não sem antes deixar a todos incandescentes e com os corações aquecidos.

Acidente na estrada. Não com meu ônibus, graças aos deuses. Mas o trânsito todo parado, por uma hora. Não confundam ‘parado’ com ‘lento’, aqui digo parado pra significar “parado”. Pa-ra-do. O motorista desligou o motor e saiu. E ficamos todos ali, à mercê de guinchos e polícias que iam e vinham. Uma hora de calor e impaciência. Escutei todos os “Quados de Uma Exposição”, tanto a versão pianística como a orquestração feita por Ravel, e toda a sinfonia nº. 6 de Tchaikovski. Depois do tempo citado todos reentraram para seus lugares – sim muitas pessoas haviam saído para tomar uma fresca do lado de fora, uns foram fumar, me lembro como era ficar sem fumar por mais de duas horas – e o ônibus seguiu, forçando o ar fresco da madrugada a novamente preenchê-lo, nos refrescando um pouco.

Saltei bem em frente à minha casa, minha vizinha estava no mesmo ônibus. A chegada em casa foi ótima, como sempre. Todos estavam presentes, inclusive nosso terceiro irmão, e acordados. Chegaram mais amigos e ficamos até tarde conversando.

Descobri que não tenho mais paciência para a que foi minha melhor amiga. Simplesmente não agüentei tanta doença num curto espaço de tempo. Nem minha irmã agüentou. Tem o agravante dessa minha amiga estar um tanto quanto alta, no que tange o nível alcoólico no sangue. Pode ser por isso que estava tão melosa. Mas só falava no tal homem que ela estava apaixonada e que não queria nada com ela. Tudo bem, não foi muito generoso da minha parte sair da mesa, mas já fui muito generoso com ela, a despeito do meu próprio bem-estar. Minha vontade era de dizer verdades, mas ela estava bêbada, não ia se lembrar de nada.

A cidade estava mais fresca que essa capital que vivo atualmente. Não tirei fotos. Minha irmã está curtindo sua nova fase de solteira, depois de 10 anos de casamento, nem ficou muito tempo em casa. Meu irmão veio para o Rio.

Às vezes tenho uma sensação de despertencimento à minha cidadezinha natal. Às vezes esse sentimento é ruim, às vezes não. Com o Natal chegando começam os planos de enfeite e de festas, é um período que gosto muito, que me remete a uma fase ótima da minha existência nesse planeta.

Nesse fim-de-semana fui à minha cidadezinha e plantei em mim algumas violetas. Florescerão no seu devido tempo. E minha cidadezinha cresce, mas encontra espaço suficiente em mim.

Passando por aqui, resolvi entrar…

Postado em Uncategorized em Novembro 5, 2007 por Lúcio

Legal voltar a ter um blog. Sensação boa passar pelos passos anteriores, escolher nome, template. Tudo isso eu fiz há tanto tempo já, quando começou essa coisa de blog pelo Blogger. Me lembro de ter visto a propaganda na televisão e ir correndo pra internet ver como é.

Já tive dois blogs bem sucedidos. Os dois eu assinava com pseudônimo, mas esse resolvi assinar como eu mesmo. Uma experiência nova dentre as já vividas. Vamos ver como é escrever, me expor tendo meu íntimo revelado perante o mundo.

Quanta presunção achar que o mundo vai ler… Bom, se não vão ler, pelo menos vão poder ler, vai ficar tudo aqui, pendurado nessa vitrine, e meu nome piscando em neon em cima.

Aos poucos as coisas vão tomando forma.