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[:: Grande concerto em homenagem à maestrina ELZA LAKSCHEVITZ::]

Postado em Música em Agosto 10, 2008 por Lúcio

Do dia 11 ao 15 a Escola de Música da UFRJ comemorará seus 160 anos de existência com concertos diários às 12h30 e às 18h30.

No dia 16 de agosto (sábado), ainda dentro das comemorações, a Escola de Música da UFRJ fará uma homenagem à grande musicista Elza Lakschevitz com um concerto com obras de compositores brasileiros.

Regência: Maria José Chevitarese

[ Abertura ]
- Salmo 100 – Marcelo Rauta
Brasil Ensemble
Lina Mendes, soprano solo
Cláudia Feitosa, piano

[ Parte I ]
Coral Infantil da UFRJ
Cláudia Feitosa, piano

- Quem mora? (Maria Mazzeti) – D. Mendonça (arr. Elza Lakschevitz)

- Velha Anedota (Arthur Azevedo) – D. Korenchendler

- Catira – folclore brasileiro (arr. Vicente Valle)

- Azulão (Manuel Bandeira) – Jayme Ovalle
Indhyra Gonfio, soprano solo

- Papagaio Azul - E. Villani-Cortes

[ Parte II ]
Coral Brasil Ensemble – UFRJ
Manuela Vieira, soprano solo
Luiz Kleber Queiroz, barítono solo
Cláudia Feitosa e Cristina Nascimento, pianos
Isaías Ferreira, percussão

- Peabiru (texto de Lélia Rita de Figueiredo Ribeiro) – música de J.G. Ripper
- Prólogo: Gravuras
- Canto I: A Descoberta do Novo Mundo
- Canto II: A Primeira Missa do Brasil
- Canto III: Santiago de Jerez
- Canto IV: O Monçoeiro
- Canto V: O Sonho do Capitão
- Canto VI: Encanto da Terra
- Canto VII: O Caminho do Peabiru

Dia 16 de agosto às 17h no Salão Leopoldo Miguez – Escola de Música da UFRJ – Rua do Passeio, 98, Lapa, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

das músicas sacras de vários tempos

Postado em Música em Junho 11, 2008 por Lúcio

[ :: Brasil Ensemble no Mosteiro de São Bento :: ]

Apresentação dia 17 de junho de 2008 (terça-feira) às 19h30.

Mosteiro de São Bento – Rua Dom Gerardo s/n , Centro, Rio de Janeiro, RJ

Regência: Maria José Chevitarese
Pianista: Luiz Henrique da Matta

Programa:

- Te Deum – Pe. José Maurício – solistas: Jamila Sorage Farah (soprano), Luan Góes (alto), Luperci Henrique (tenor), Lúcio Zandonadi (barítono), Luiz Henrique da Matta (piano);
- Pater Noster – Henrique Oswald – Luiz Henrique da Matta (piano);
- Missa de Réquiem em Mi menor – Henrique Oswald – Luiz Henrique da Matta (piano);
- Gloriosa Virginum – Antonio Vaz
- Santa Clara, Clareai – Ronaldo Miranda
- Gloria – Roberto Macedo – participação do Coral Infantil da UFRJ – Luiz Henrique da Matta (piano);

Brasil Ensemble no Mosteiro de São Bento

Das coisas boas

Postado em Considerações, Música em Maio 31, 2008 por Lúcio

E “Maroquinhas”, com a récita de ontem, encerrou com chave de ouro a temporada. Foram quatro récitas, o que todos acharam muito pouco, todas com lotação máxima. A criançada toda vidrada nos personagens muito bem interpretados pelos cantores. Sucesso arrasador de crítica e público. Todos estão de parabéns.

Maroquinhas Frufru (ainda)

Postado em Música em Maio 21, 2008 por Lúcio

Aqui está o cartaz da opereta:

convite maroquinhas

Dos bolos de chocolate

Postado em Música em Abril 16, 2008 por Lúcio

Tenho acompanhado a produção de uma opereta, a Maroquinhas Fru-Fru, de Ernst Mahle, e tem sido uma experiência muito diferente. Para começar, os cantores têm que atuar e isso é mais complicado, mais complexo do que possa parecer. Tem os diretores cênicos que marcam a movimentação dos cantores pelo palco improvisado no foyer da Escola e os cantores têm que combinar toda a técnica do canto com o tempo de percorrer os pontos marcados, o famoso timming.

Ainda por cima é uma ópera cômica e fazer comédia é ainda mais difícil, acredito. É uma ópera para crianças, na verdade. A história é simples, porém a música tem que parecer simples, mas não é. Encenada pela primeira vez em 1961, é na sua maioria formada por recitativos, que têm estrutura mais livre em relação à harmonia, sendo comandados pelo ritmo das palavras. Cantar recitativos já é complicado por si só porque há de se adequar o ritmo do texto ao da música; os instrumentos tocam acordes, basicamente, sobre os quais os cantores têm que cantar suas linhas melódicas claramente para que a platéia entenda o que se está dizendo, fazendo com que tudo pareça o mais natural possível. E isso dá MUITO trabalho.

Fora isso, como a opereta foi escrita por volta de 61, a harmonia, as linhas melódicas não têm tanto compromisso com a tonalidade “clássica”, digamos, já que nesse período já se havia rompido todas essas barreiras tonais.

No entanto, é simplesmente maravilhoso ver meus amigos envolvidos nessa produção, estou adorando e me divertindo muito. A opereta será apresentada no fim de maio, serão quatro récitas, na Escola de Música da UFRJ, depois eu passo o serviço completo.

Da voz humana, de São Sebastião e de Jane Chiesse

Postado em Considerações, Música em Janeiro 20, 2008 por Lúcio

Essa semana foi puxada. Me inscrevi numa “jornada” de canto coral. A semana inteira ficamos das 10h às 18h somente por conta do canto coral. Previamente recebemos as cinco partituras que iriam ser trabalhadas e que deveriam ser estudadas em casa, antes de começar a jornada.

O regente responsável é um excelente profissional, muito bem reconhecido no meio e muito admirado. Foi muito bom, éramos umas 70 pessoas ali com, pelo menos, um objetivo comum, o canto coral em si. Houve momentos de discussão, tendo como princípio as próprias peças do repertório selecionado. Cada dia começávamos com uma das peças e a discussão ia para várias direções.

Foi cansativo sim, porém foi lindo ver todas aquelas pessoas empenhadas em um único objetivo. Todos participando e querendo o melhor, querendo vencer barreiras, as próprias barreiras, querendo aprender, melhorar. Pessoas de todas as idades, tipos, formatos, origens, todos buscando dentro de si a melhor maneira de fazer as coisas.

Lidar com a voz é algo de um poder incrível. Muda tudo dentro de você, a sua história passa a ser dividida em antes e depois de ter começado a cantar. Comigo foi assim, depois que comecei a cantar, a explorar o universo de vibrações que há dentro de mim, tudo mudou. E sou mais feliz hoje por causa disso, tenho certeza.

É uma experiência que não esquecerei. Todos dividindo o espaço e o ar tão harmoniosamente.

E hoje é dia de São Sebastião, padroeiro tanto do Rio de Janeiro quanto da minha cidade no interior. E dizem também ser padroeiro dos gays. Lá na minha cidade tem quermesse na rua principal durante o fim-de-semana todo.

Aqui no Rio o tempo está abafado, depois da chuva de ontem. Continua quente, um mormaço dá aquela impressão de panela de pressão. Tudo quente e esbranquiçado.

São Sebastião - Instalação de Jane Chiesse

São Sebastião – Instalação de Jane Chiesse

Da necessidade de ser poético

Postado em Música, dia-a-dia em Novembro 30, 2007 por Lúcio

Tenho tido muita dificuldade em ser poético. Estou cansado. Ontem no ônibus comecei a chorar e quase não consegui parar. Não estou triste, é certo. Acho que é esse cansaço geral. Acordei de madrugada e não consegui dormir mais, então fiz como Clarice Lispector fazia, deu 3 e meia e ainda não consegui dormir, então me levanto, faço um café e dou a noite por encerrada.

Hoje vamos cantar o Te Deum do Pe. José Maurício, vou fazer o barítono solo. É um outro nicho que estou descobrindo, o de cantor solista. A parte é fácil, não tem nada de complicado, tudo ‘baixo de harmonia’ que qualquer pessoa que solfeje pega de primeira. Mas precisa que alguém faça e eu fui escolhido, então agradeço a oportunidade.

Fim de ano sempre me deixa muito suscetível às coisas. Emotivo. Ontem li um post da Rosana e já me emocionei. Logo após fui escutar Gaelic Blessing, de John Rutter, e a emoção veio como avalanche, passou por cima de tudo, me tomou por completo. Virei uma bolha viva, preenchida de um calor. No fundo foi bom pra eu lembrar como é ter sangue quente nas veias, estava me sentindo meio anestesiado nesses últimos tempos. Se não fosse meu amor para me irrigar as carnes e alma, eu diria estar indo no caminho de uma atrofia desse músculo.

Aqui pode-se ouvir a Gaelic Blessing, de John Rutter, e acompanhar pela partitura. Emocione-se também.

” Deep peace of the running wave to you,
Deep peace of the flowing air to you,
Deep peace of the quiet earth to you,
Deep peace of the shining stars to you,
Deep peace of the gentle night to you,
Moon and stars pour their healing light on you,
Deep peace of Christ,
the light of the world to you
Deep peace of Christ, to you.”

Das vicissitudes da vida

Postado em Música, dia-a-dia, passado condena em Novembro 28, 2007 por Lúcio

Que fim-de-ano é esse?! Ah não, preciso de férias!

Bom, pelo menos ontem foi a prova de Regência e eu passei. E isso é ótimo! Vamos ver o que nos aguarda o próximo período. A prova em si não foi assim tão difícil. Pudemos escolher qual peça faríamos, dentre os quatro movimentos da 1ª Sinfonia de Beethoven e os dois da “Inacabada” de Schubert. Fiquei em dúvida, mas acabei escolhendo o primeiro movimento do Beethoven. Quis ser o primeiro a reger para ficar logo livre. É claro que tomei meus 20mg de propranolol para beta-bloquear tudo o que fosse possível.

Esse remédio é uma coisa ótima na vida de um músico. Me foi indicado pelo meu irmão farmacêutico que, na época, tinha que tomar por causa de hipertensão. Ele me explicou que a substância não impede a produção de adrenalina, mas sim impede a sua absorção pelo organismo, então ela não tem os efeitos que me são indesejáveis. Já sofri muito com isso. Toco piano desde criancinha e toda vez que ia tocar em público minhas mãos tremiam e ficavam bambas, depois passou a me tremer as pernas e mais tarde a cabeça. E tentar não tremer me deixava mais nervoso, o que me fazia tremer mais e virava um ciclo desagradabilíssimo.

Até que fui fazer vestibular para Música e tinha que fazer o tal ‘teste de habilidades específicas’, que é fazer, além do vestibular normal, uma prova de música, com questões referentes a harmonia, solfejo, ditado musical, além de uma prova prática no instrumento de escolha, no meu caso escolhi o piano. E, na minha época, os candidatos a Regência que escolhiam piano tinham que fazer a mesma prova dos candidatos a bacharelado nesse instrumento. A saber: uma peça de autor brasileiro, uma de autor estrangeiro, um movimento vivo de sonata clássica ou romântica, um prelúdio e fuga do “Cravo Bem Temperado” e um estudo do “Gradus ad Parnassum” ou dos de Mozkovski. O que eu toquei foi, nessa ordem: A Lenda do Caboclo, de Villa-Lobos; Prelúdio em Dó sustenido menor, de Rachmaninof; o primeiro movimento da sonata nº1 em fá menor, de Beethoven; o prelúdio e fuga 21 em si bemol maior, do livro I, de Bach; e o estudo nº5 do Gradus ad Parnassum, de Clementi. Essa prova de piano foi minha maior nota. E foi para essa prova que usei pela primeira vez um beta-adrenérgico. E foi ótimo.

A gente tinha que esperar numa salinha – ah, sempre essas salinhas de espera, com suas luzes fracas, ambiente lúgubre e antiquado, com um cheiro que fica marcado para sempre. E ouvíamos a prova dos outros candidatos, o que não colabora em nada para a nossa tranqüilidade. Havia uma mesa grande onde me debruçava e tentava me concentrar na prova, mas o som dos outros me atrapalhava. Na época eu fumava, mas não se podia fumar naquele ambiente, senão teria ido facilmente meio maço de espera. Os fiscais falavam coisas, mas eu não conseguia assimilar nada. Sentia o corpo produzindo litros de adrenalina, mas minhas mãos continuavam firmes. Eu só sentia uma ansiedade e uma excitação que eram quase agradáveis, se não fosse a situação em si. Ah, são pouquíssimas pessoas que gostam de fazer prova, vai.

E eu entrei na sala, com meu papelzinho com meu nome completo, meu curso almejado e a relação de peças que iria tocar. A banca examinadora consistia de três professores. Me sentei ao piano e toquei a primeira, a segunda. No movimento da sonata, quando cheguei no fim da exposição eles me pediram para ir para a próxima, um alívio.

E toquei meu programa todo sem grandes problemas. Eu tinha estudado como nunca para essa prova, eu estava tocando muito bem. Depois de tudo, prova de leitura à primeira vista. Me deram uma partitura manuscrita para que eu tocasse ao piano sem conhecer. Foi bom, acho, não me lembro direito.

Então, para a prova de Regência ontem eu tomei o bloqueador e a batuta não tremeu. Foi bom, mas acho que já regi melhor antes. O professor chamou outro professor de regência para ser nossa ‘banca’ e depois que todos regemos fizemos uma reunião para se discutir nossa prova. A mim foi dito para que não contasse tanto compasso e regesse mais a música em si. Além de prestar atenção à contagem – houve momentos que me distraí e troquei o 1 pelo 2, mas corrigi depois.

E fomos liberados sem saber se tínhamos passado ou não. Depois é que conversei com uma amiga que esteve com o meu professor e ele disse que todos havíamos passado. Após a prova tive que ir correndo para o Fundão porque o Ensemble iria se apresentar na Jornada de Extensão. Resolvi ir de metrô, e minha cabeça continuava na prova de regência. Cheguei em Del Castilho e entrei no ônibus errado; descobri depois que passei na roleta, ou seja, tive que pagar outra passagem no ônibus certo. Chegando no Fundão, quase na porta do CCMN, encontrei uma menina do Ensemble e ela disse que já haviam cantado, que foi adiantado para todos saírem mais cedo. E eu não fui avisado. Que beleza, fiquei tão contente.

Voltei para a Escola e fui almoçar. Daí tinha que esperar até às 16h para a aula de viola. Tive aula de viola e de lá fui ensaiar o quarteto que vou cantar no dia 30. Depois fomos para a aula de canto coral e depois ensaio do Ensemble, com as quatro harpas. O ensaio foi horrível, todos cansados, irritados pelo cansaço do dia, não rendeu muito.

Bom, hoje é um novo dia e tenho que estudar musiquinhas de Natal e fazer projeto de Tecnologia Musical.

Das estrelinhas douradas que ganhamos

Postado em Considerações, Música em Novembro 22, 2007 por Lúcio

Hoje é dia de Santa Cecília, a padroeira dos Músicos. Apesar de ser músico, não sou devoto dessa santa, tampouco sou devoto de qualquer santo. Até seria interessante ser, mas não consigo ser devoto de nada nessa vida. Gostaria de homenagear o responsável por existir Música no mundo. Essa Música tem me dado tantos momentos ótimos, queria agradecer por qualquer coisa que fosse. Já me disseram que tinha que agradecer a mim mesmo, mas não é a mesma coisa. Queria que tivesse um “culpado” por isso, como a gente sempre quer um culpado externo para tudo o que acontece.

 Tenho uma pequenina imagem de Santa Cecília ao lado do monitor do computador, pode ser que me ajude em alguns momentos; pelo sim, pelo não, ela fica ali. Foi presente.

 Mas o fato é que minha religiosidade tem diminuído nesses últimos anos. Ainda mantenho alguma, mas os questionamentos aumentam e as certezas diminuem.

 Nesse ano que acaba daqui a pouco, foi quando primeiramente fui solista do coro que canto. Uma emoção inenarrável, só por isso já tenho o que agradecer até o fim da vida. Não só pela experiência em si, como fato isolado, mas também como a abertura de muitas possibilidades na minha vida. O vencimento do medo de solar, achando que minha voz não era para tanto. O convencimento de que tenho sim uma boa voz capaz de me fazer ir pra frente do palco e sorrir enquanto os olhos se voltam para mim. Sim, todo artista é narcisista. Todo.

 Também teve a minha peça na Bienal, que também foi um marco, um degrau que subi. Depois de não ter passado no concurso do Sesi-Minas e também no concurso Cláudio Santoro, a auto-confiança diminui bastante. E daí, quando menos se espera, deitado na cama à tarde vendo tv, o telefone toca e uma voz com sotaque paulistano me diz que minha peça tinha sido selecionada para a Bienal. Muito legal. E depois teve a apresentação da mesma, o que me deixou extasiado, pisando em plumas. Minha família veio para o Rio, amigos vieram prestigiar junto comigo, foi um dia especial que ficará guardado para sempre nessa cabeça tão cheia de coisas.

 E eu queria dizer “obrigado” para alguém. Por eu estar com 30 anos e fazendo o que eu mais amo nessa vida, que é a Música. Como em qualquer situação em que se sente premiado, agradeço primeiramente à minha família, ao meu amorzão, aos meus amigos, aos amores dos meus amigos, aos conhecidos, aos professores, aos colegas, a Santa Cecília, a Oxum, às iaras. E ao silêncio necessário para que a Música aconteça.

Praça da Bandeira

Olha só, foi assim:

Postado em Considerações, Música, dia-a-dia em Novembro 15, 2007 por Lúcio

Combinamos de nos encontrar nas barcas às 7h30, para tal eu acordei às 6h, tomei café e banho super rápido para sair às 7h de casa e chegar no horário. Outras pessoas acordaram ainda mais cedo. Com exceção dos que iriam direto, que era a minoria, estávamos todos lá na Praça XV de Novembro. Pegamos a barca, depois o ônibus para ir ao Centro de Artes da UFF. Assustamos as pessoas com nossas roupas pretas, nossa cantoria pode ter sido inconveniente para quem era de fora.Chegamos no Centro de Artes. Após um pequeno momento de chegada e ajuntamento do coro num único lugar, começamos o relaxamento e aquecimento. Após isso tínhamos algum tempo para nos arrumarmos, as mulheres queriam se maquiar e ajeitar seus cabelos e colocar suas echarpes e seus sapatos altos. A gravação estava combinada de começar às 9h30. Ao chegar no teatro vimos que a equipe técnica ainda estava montando os equipamentos, as luzes e microfones, e muitos instrumentismas ainda não haviam chegado.

Os ensaios começaram às 11h, com direito a cara feira de maestrina e de olhares reprobatórios dos instrumentistas. Aqui eu faço uma pequena ressalva para quem quer que leia isso aqui, nunca, NUNCA faça uma diferenciação de cantores e instrumentistas dizendo “os cantores e os músicos”, ouviram bem? Nunca. Somos todos músicos. Talvez não se saiba fora do meio musical, mas os cantores, principalmente de coro, são muito mal tratados, como se fosse um músico “menor” ou menos qualificado. Para quem pensa assim eu só peço para pensarem no Requiem de Brahms, no Requiem de Mozart, no Messias de Haendel, no Carmina Burana de Orff, na Nona Sinfonia de Beethoven e pensem na importância do coro nessas obras. Então, acho que deu para perceber que se o coro não estiver bem a obra não funciona.

Pois bem, fomos realmente gravar já devia ser quase meio-dia. Fizemos um bolão para quantas vezes iríamos repetir. Todos erramos para menos. A obra começa com um solo de  contra-fagote, e o cara parecia que tinha recebido a parte dele hoje, porque errava demais, cheio de inseguranças nas articulações e até umas notas meio esquisitas. Por causa dele já foram umas três. Bom, as coisas não estavam funcionando muito bem, demorou muito até chegarmos na nossa entrada. São 129 compassos de espera.

Finalmente cantamos. Logo no começo da nossa parte tem um salto de 9ª. menor, do dó 2 ao ré bemol 3, é um salto difícil e estávamos acertando, mas tinha um regente assistente que cismou que estávamos errando, e pararam as gravações e vem a regente passar só esse intervalo conosco. Só que estávamos acertando! No fim ela disse que melhorou e pudemos prosseguir.

Por duas vezes a regente nos deu “bravos”. Quando fomos passar a terceira já era uma e meia da tarde, no meio da música um contralto desmaiou. É óbvio, estava demorando! Estava quente como o banheiro do inferno, estávamos sem comer desde às 6 da manhã. Mas o pior era o calor, aqueles holofotes de gravação em cima da gente, e todos de preto, estava muito quente. Uns minutos de comoção, levaram a menina para fora e acharam por bem só gravarmos os agradecimentos finais para podermos ir embora. A filmagem foi sem público, mas eles iam enxertar uma platéia depois, então gravaram o que seria o fim do espetáculo, com agradecimentos, saídas e reentradas das regentes e do solista, mas tudo em silêncio, como se estivéssemos sob uma ovação ruidosa. Uma sensação curiosa.

Cheguei em casa às 15h com uma dor de cabeça colossal. Nem tive ânimo de sair para comer, ataquei os pães de forma mesmo e resolvi esperar até o lanche da tarde. Agora é só quinta-feira que tenho compromisso, feriadaço mesmo.