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Das surpresas que nos forçamos a nós mesmos

Posted in Considerações, dia-a-dia on Abril 13, 2008 by Lúcio

É uma experiência interessante. Peguei um programinha que diz quem está te bloqueando no MSN naquele momento. Pessoas que eu nunca achei que fossem me bloquear, estavam na lista. É estranho.

E olha que eu sempre defendi que ninguém é obrigado a conversar com ninguém, que MSN não pode ser modelo de vida de ninguém, que nenhuma amizade deveria se basear só e unicamente em internet. Mas acontece que ver os nomes ali foi estranho, mesmo os das pessoas que eu já sabia que me bloqueavam.

Enfim, um golpe na auto-estima, mas nada que eu não possa superar. Porque, afinal de contas, quem sai perdendo são eles.

Das duas de hidrogênio e uma de oxigênio

Posted in dia-a-dia on Janeiro 29, 2008 by Lúcio

Um dos verões mais frios que se tem notícia. Vocês estão reclamando? Tudo bem, a chuva pode atrapalhar alguns planos, mas beneficiam outros, não acham?

Praça da Bandeira sob chuva

Posted in dia-a-dia on Dezembro 22, 2007 by Lúcio

E é isso, estou aqui arrumando mala para ir para minha terrinha e passar esses dias com minha família querida. Meu pai já chegou do Espírito Santo, meus irmãos já estão lá e só falta o filho do meio para tudo ficar completo.

Geralmente quem prepara a ceia é meu pai assistido por minha irmã, os dois são ótimos na cozinha e sempre preparam quitutes que são lembrados ao longo dos anos. Minha mãe se preocupa mais com arrumação da casa, os enfeites e a mesa da ceia. Eu a ajudo. Nosso irmão mais velho fica à parte da arrumação, mas elogia muito tudo depois. Nosso outro irmão, o postiço, também ajuda no que puder, leva e traz alguém do supermercado e empresta sua alegria ao momento do Natal em família.

Às vezes um amigo ou outro passa o Natal conosco, de modo a “fugir” de sua própria família ou sua própria solidão. Todos os amigos são bem vindos à nossa mesa sempre e às vezes minha mãe até prepara um presente surpresa improvisado.

Temos a difundida  tradição do amigo oculto entre nós. Tradição essa que se iniciou em tempos obscuros de privações materiais e se perpetuou depois que tudo melhorou. Amigo oculto à parte, eu sempre compro presente para meus pais, já que eles têm gastos comigo e tudo o mais, gosto dessa pequena retribuição. Esse ano minha mãe então vai ganhar dois presentes.

Bom, as roupas já estão separadas, dobradas e empilhadas para entrarem na mochila. Tenho que me lembrar de tudo, carregadores, fones, cds, livro para ler na rodoviária esperando o ônibus, já que deve estar lotada, cartões, câmera… Meu amor ainda dorme e estou esperando-o para tomarmos café juntos. O tempo está abafado, mas não está calor, o que é muito bom. Ah, outra coisa para lembrar é o guarda-chuva.  Estou com fome.

Das atormentadas calçadas

Posted in dia-a-dia on Dezembro 12, 2007 by Lúcio

Coisa boa que é ver a chuva com meu amor na varanda. Essa tarde calorenta, o cansaço, a irritação do ano acumulada e vem a chuva com seus doces olores que colorem o em-volta com uma aura de suspensão.

O calor não diminuiu, o sol voltou a brilhar, mas as plantinhas tiveram o seu de-beber garantido por enquanto. É também por elas que ficamos contentes. Na rua os pegos de surpresa corriam e se protegiam embaixo de qualquer coisa.

Esses momentos proporcionam encontros que antes nunca seriam possíveis. Debaixo de uma marquise uma peruona loura e maquiadíssima dividia o espaço com um pedreiro suarento e um também suado rapaz de academia. No bar os bêbados habituais receberam a visita das estudantes uniformizadas e pareciam felizes com isso. Ao que tudo indicava, todos estavam em harmonia com todos, havia algo em comum entre eles. Um silêncio barulhento preenchia as ruas enquanto a água corria pela sarjeta sem nem se lembrar que um momento atrás era ela quem chovia.

E a chuva parou. E os grupos se desfizeram. A peruona continuou seu caminho para a loja de conserto de roupas. O pedreiro suarento saiu antes de todos e ainda pegou um pouco da chuva e voltou a descarregar os tijolos do caminhão mal parado. O rapaz tomou uma cerveja, fumou um cigarro e rumou para casa para se banhar e ir para a faculdade. As estudantes foram para o ponto de ônibus mais perto e entraram no primeiro 422 que passou, sorte delas que era com ar-condicionado.

E a vida volta. Um arco-íris tentou aparecer, mas teve preguiça. O morro está mais verde, o céu está salpicado de branco, as ruas negras e os telhados vermelhos.

“Um tico-tico mora ao lado e, passeando no molhado, adivinhou a primavera!”

Posted in Considerações, dia-a-dia on Dezembro 3, 2007 by Lúcio

E chega essa época do ano em que mais as pessoas se mobilizam para que aconteça. Gasta-se muito dinheiro com festas, presentes, roupas para as festas e acaba-se deixando mais solta a gastação. Eu gosto dessa época. Tempo de tradições serem mais uma vez reafirmadas e as famílias fortalecerem seus laços. Ou não.

Bom, lá em casa é época de todos voltarem. Quem saiu, que arranje um jeito de passar um tempo por lá, senão é tristeza e falação na certa. E estão certos, fico feliz de voltar. Não se enganem, vou para lá mais ou menos de três em três semanas, mas quando chega essa época, época de férias, de descanso, fico mais que contente em ir para a rodoviária debaixo de um calorão, com mala pesada, com pressa. A rodoviária está cheíssima, com pessoas igualmente encaloradas e apressadas. A fila no guichê sem extende pelo espaço. Pode-se ter a sorte de encontrar ônibus saindo dali a meia hora, mas o normal é ter que esperar uma hora ou mais. E naquela rodoviária tem poucos bancos, o que significa que vou ter que ler meu livro em pé.

Uma tradição lá em casa é eu e nosso irmão postiço arrumarmos a árvore, juntamente com minha mãe. Já faz tempos que é assim, e não é porque eu moro aqui no Rio que isso vai mudar. Então nesse fim-de-semana passado nos encontramos lá em casa para montarmos tudo.

O natal encaixotado O natal encaixotado

O natal montadoO natal montado

Da necessidade de ser poético

Posted in Música, dia-a-dia on Novembro 30, 2007 by Lúcio

Tenho tido muita dificuldade em ser poético. Estou cansado. Ontem no ônibus comecei a chorar e quase não consegui parar. Não estou triste, é certo. Acho que é esse cansaço geral. Acordei de madrugada e não consegui dormir mais, então fiz como Clarice Lispector fazia, deu 3 e meia e ainda não consegui dormir, então me levanto, faço um café e dou a noite por encerrada.

Hoje vamos cantar o Te Deum do Pe. José Maurício, vou fazer o barítono solo. É um outro nicho que estou descobrindo, o de cantor solista. A parte é fácil, não tem nada de complicado, tudo ‘baixo de harmonia’ que qualquer pessoa que solfeje pega de primeira. Mas precisa que alguém faça e eu fui escolhido, então agradeço a oportunidade.

Fim de ano sempre me deixa muito suscetível às coisas. Emotivo. Ontem li um post da Rosana e já me emocionei. Logo após fui escutar Gaelic Blessing, de John Rutter, e a emoção veio como avalanche, passou por cima de tudo, me tomou por completo. Virei uma bolha viva, preenchida de um calor. No fundo foi bom pra eu lembrar como é ter sangue quente nas veias, estava me sentindo meio anestesiado nesses últimos tempos. Se não fosse meu amor para me irrigar as carnes e alma, eu diria estar indo no caminho de uma atrofia desse músculo.

Aqui pode-se ouvir a Gaelic Blessing, de John Rutter, e acompanhar pela partitura. Emocione-se também.

” Deep peace of the running wave to you,
Deep peace of the flowing air to you,
Deep peace of the quiet earth to you,
Deep peace of the shining stars to you,
Deep peace of the gentle night to you,
Moon and stars pour their healing light on you,
Deep peace of Christ,
the light of the world to you
Deep peace of Christ, to you.”

Das vicissitudes da vida

Posted in Música, dia-a-dia, passado condena on Novembro 28, 2007 by Lúcio

Que fim-de-ano é esse?! Ah não, preciso de férias!

Bom, pelo menos ontem foi a prova de Regência e eu passei. E isso é ótimo! Vamos ver o que nos aguarda o próximo período. A prova em si não foi assim tão difícil. Pudemos escolher qual peça faríamos, dentre os quatro movimentos da 1ª Sinfonia de Beethoven e os dois da “Inacabada” de Schubert. Fiquei em dúvida, mas acabei escolhendo o primeiro movimento do Beethoven. Quis ser o primeiro a reger para ficar logo livre. É claro que tomei meus 20mg de propranolol para beta-bloquear tudo o que fosse possível.

Esse remédio é uma coisa ótima na vida de um músico. Me foi indicado pelo meu irmão farmacêutico que, na época, tinha que tomar por causa de hipertensão. Ele me explicou que a substância não impede a produção de adrenalina, mas sim impede a sua absorção pelo organismo, então ela não tem os efeitos que me são indesejáveis. Já sofri muito com isso. Toco piano desde criancinha e toda vez que ia tocar em público minhas mãos tremiam e ficavam bambas, depois passou a me tremer as pernas e mais tarde a cabeça. E tentar não tremer me deixava mais nervoso, o que me fazia tremer mais e virava um ciclo desagradabilíssimo.

Até que fui fazer vestibular para Música e tinha que fazer o tal ‘teste de habilidades específicas’, que é fazer, além do vestibular normal, uma prova de música, com questões referentes a harmonia, solfejo, ditado musical, além de uma prova prática no instrumento de escolha, no meu caso escolhi o piano. E, na minha época, os candidatos a Regência que escolhiam piano tinham que fazer a mesma prova dos candidatos a bacharelado nesse instrumento. A saber: uma peça de autor brasileiro, uma de autor estrangeiro, um movimento vivo de sonata clássica ou romântica, um prelúdio e fuga do “Cravo Bem Temperado” e um estudo do “Gradus ad Parnassum” ou dos de Mozkovski. O que eu toquei foi, nessa ordem: A Lenda do Caboclo, de Villa-Lobos; Prelúdio em Dó sustenido menor, de Rachmaninof; o primeiro movimento da sonata nº1 em fá menor, de Beethoven; o prelúdio e fuga 21 em si bemol maior, do livro I, de Bach; e o estudo nº5 do Gradus ad Parnassum, de Clementi. Essa prova de piano foi minha maior nota. E foi para essa prova que usei pela primeira vez um beta-adrenérgico. E foi ótimo.

A gente tinha que esperar numa salinha – ah, sempre essas salinhas de espera, com suas luzes fracas, ambiente lúgubre e antiquado, com um cheiro que fica marcado para sempre. E ouvíamos a prova dos outros candidatos, o que não colabora em nada para a nossa tranqüilidade. Havia uma mesa grande onde me debruçava e tentava me concentrar na prova, mas o som dos outros me atrapalhava. Na época eu fumava, mas não se podia fumar naquele ambiente, senão teria ido facilmente meio maço de espera. Os fiscais falavam coisas, mas eu não conseguia assimilar nada. Sentia o corpo produzindo litros de adrenalina, mas minhas mãos continuavam firmes. Eu só sentia uma ansiedade e uma excitação que eram quase agradáveis, se não fosse a situação em si. Ah, são pouquíssimas pessoas que gostam de fazer prova, vai.

E eu entrei na sala, com meu papelzinho com meu nome completo, meu curso almejado e a relação de peças que iria tocar. A banca examinadora consistia de três professores. Me sentei ao piano e toquei a primeira, a segunda. No movimento da sonata, quando cheguei no fim da exposição eles me pediram para ir para a próxima, um alívio.

E toquei meu programa todo sem grandes problemas. Eu tinha estudado como nunca para essa prova, eu estava tocando muito bem. Depois de tudo, prova de leitura à primeira vista. Me deram uma partitura manuscrita para que eu tocasse ao piano sem conhecer. Foi bom, acho, não me lembro direito.

Então, para a prova de Regência ontem eu tomei o bloqueador e a batuta não tremeu. Foi bom, mas acho que já regi melhor antes. O professor chamou outro professor de regência para ser nossa ‘banca’ e depois que todos regemos fizemos uma reunião para se discutir nossa prova. A mim foi dito para que não contasse tanto compasso e regesse mais a música em si. Além de prestar atenção à contagem – houve momentos que me distraí e troquei o 1 pelo 2, mas corrigi depois.

E fomos liberados sem saber se tínhamos passado ou não. Depois é que conversei com uma amiga que esteve com o meu professor e ele disse que todos havíamos passado. Após a prova tive que ir correndo para o Fundão porque o Ensemble iria se apresentar na Jornada de Extensão. Resolvi ir de metrô, e minha cabeça continuava na prova de regência. Cheguei em Del Castilho e entrei no ônibus errado; descobri depois que passei na roleta, ou seja, tive que pagar outra passagem no ônibus certo. Chegando no Fundão, quase na porta do CCMN, encontrei uma menina do Ensemble e ela disse que já haviam cantado, que foi adiantado para todos saírem mais cedo. E eu não fui avisado. Que beleza, fiquei tão contente.

Voltei para a Escola e fui almoçar. Daí tinha que esperar até às 16h para a aula de viola. Tive aula de viola e de lá fui ensaiar o quarteto que vou cantar no dia 30. Depois fomos para a aula de canto coral e depois ensaio do Ensemble, com as quatro harpas. O ensaio foi horrível, todos cansados, irritados pelo cansaço do dia, não rendeu muito.

Bom, hoje é um novo dia e tenho que estudar musiquinhas de Natal e fazer projeto de Tecnologia Musical.

Dos ventos que se tem notícia

Posted in Considerações, dia-a-dia on Novembro 19, 2007 by Lúcio

E o sol voltou a brilhar por estas bandas. Ontem mesmo o dia já estava bem bonito, claro, porém ainda preservando a brisa fresca dos tempos de chuva.

Para aproveitar o belo dia, fomos passear na Quinta da Boa Vista. Sim, um programa suburbano, passear na Quinta no domingo. O lugar é muito bonito, muitas árvores centenárias, lugares para sentar e apreciar a paisagem e é ótimo para caminhar. Muitas famílias com seus rebentos correndo pelos gramados, piqueniques, bolas, e um cheiro de cachorro-quente constante no ar. Achei ter visto Dom Raphael Pascoal, O Venturoso perambulando com uma turma, mas acho que me enganei.

Lá dentro tem o zoológico que já tinha visitado quando criança numa excursão de colégio. Nem me lembrava mais de nada, além de estar tudo diferente mesmo. O cheiro característico de zoológico, inconfundível. Até que está bem cuidado. Mas desta vez fiquei com pena dos animais. Sei lá, as jaulas e gaiolas me pareceram incrivelmente pequenas. Acho que nenhum tamanho seria suficiente para que eu me tranqüilizasse (vou usar o trema até ser ameaçado de prisão, ok); aqueles pássaros, macacos, animais grandes tendo que viver naquele pequeno quadrado, não sei, não fiquei confortável. E isso nunca tinha me acontecido, já fui várias vezes a zoológicos e nunca me condoí tanto quanto dessa vez. Percebi no entanto que esses animais já estão neuróticos, não tem como ser são e viver aquela realidade, há de se fugir dela para conseguir se manter vivo. Aqueles bichos já estão loucos. Mas a experiência foi agradável, no fim das contas, não me arrependo de ter ido não. Estava com meu amor e estava tudo bem. Até vimos um casalzinho gay de mãos dadas na passarela da fauna. Essa passarela vai sobre uma grande área onde vivem capivaras, emas, galinhas d’angola e veados. A piada era óbvia, mas foi dita mesmo assim “ih, dois fugiram”. A minha real vontade era ir parabenizar os dois. Na maior, nem ligando, e as pessoas pareciam também não se importar muito não. Adorei.

Hoje o tempo parece ter firmado no sol. A cigarra canta avisando que vamos ter sol amanhã também, pelo menos. Eu estava adorando, mas era um disparate aquele frio em pleno novembro. Quem me dera ficasse daquele jeito até maio, junho.

O dia está bonito e não tenho muito a fazer. Já calejei meus dedos estudando a viola e percebi algum progresso. Tenho que estudar regência, semana que vem é a prova e não posso repetir novamente. Eu ia compor, mas o sibelius está preguiçoso hoje, não quer carregar de jeito nenhum, vou ter que fazer na mão mesmo, ou então no notebook.

O dia está bonito sim e se aproxima o fim do ano. Estão sentindo?

Panorâmica

Olha só, foi assim:

Posted in Considerações, Música, dia-a-dia on Novembro 15, 2007 by Lúcio

Combinamos de nos encontrar nas barcas às 7h30, para tal eu acordei às 6h, tomei café e banho super rápido para sair às 7h de casa e chegar no horário. Outras pessoas acordaram ainda mais cedo. Com exceção dos que iriam direto, que era a minoria, estávamos todos lá na Praça XV de Novembro. Pegamos a barca, depois o ônibus para ir ao Centro de Artes da UFF. Assustamos as pessoas com nossas roupas pretas, nossa cantoria pode ter sido inconveniente para quem era de fora.Chegamos no Centro de Artes. Após um pequeno momento de chegada e ajuntamento do coro num único lugar, começamos o relaxamento e aquecimento. Após isso tínhamos algum tempo para nos arrumarmos, as mulheres queriam se maquiar e ajeitar seus cabelos e colocar suas echarpes e seus sapatos altos. A gravação estava combinada de começar às 9h30. Ao chegar no teatro vimos que a equipe técnica ainda estava montando os equipamentos, as luzes e microfones, e muitos instrumentismas ainda não haviam chegado.

Os ensaios começaram às 11h, com direito a cara feira de maestrina e de olhares reprobatórios dos instrumentistas. Aqui eu faço uma pequena ressalva para quem quer que leia isso aqui, nunca, NUNCA faça uma diferenciação de cantores e instrumentistas dizendo “os cantores e os músicos”, ouviram bem? Nunca. Somos todos músicos. Talvez não se saiba fora do meio musical, mas os cantores, principalmente de coro, são muito mal tratados, como se fosse um músico “menor” ou menos qualificado. Para quem pensa assim eu só peço para pensarem no Requiem de Brahms, no Requiem de Mozart, no Messias de Haendel, no Carmina Burana de Orff, na Nona Sinfonia de Beethoven e pensem na importância do coro nessas obras. Então, acho que deu para perceber que se o coro não estiver bem a obra não funciona.

Pois bem, fomos realmente gravar já devia ser quase meio-dia. Fizemos um bolão para quantas vezes iríamos repetir. Todos erramos para menos. A obra começa com um solo de  contra-fagote, e o cara parecia que tinha recebido a parte dele hoje, porque errava demais, cheio de inseguranças nas articulações e até umas notas meio esquisitas. Por causa dele já foram umas três. Bom, as coisas não estavam funcionando muito bem, demorou muito até chegarmos na nossa entrada. São 129 compassos de espera.

Finalmente cantamos. Logo no começo da nossa parte tem um salto de 9ª. menor, do dó 2 ao ré bemol 3, é um salto difícil e estávamos acertando, mas tinha um regente assistente que cismou que estávamos errando, e pararam as gravações e vem a regente passar só esse intervalo conosco. Só que estávamos acertando! No fim ela disse que melhorou e pudemos prosseguir.

Por duas vezes a regente nos deu “bravos”. Quando fomos passar a terceira já era uma e meia da tarde, no meio da música um contralto desmaiou. É óbvio, estava demorando! Estava quente como o banheiro do inferno, estávamos sem comer desde às 6 da manhã. Mas o pior era o calor, aqueles holofotes de gravação em cima da gente, e todos de preto, estava muito quente. Uns minutos de comoção, levaram a menina para fora e acharam por bem só gravarmos os agradecimentos finais para podermos ir embora. A filmagem foi sem público, mas eles iam enxertar uma platéia depois, então gravaram o que seria o fim do espetáculo, com agradecimentos, saídas e reentradas das regentes e do solista, mas tudo em silêncio, como se estivéssemos sob uma ovação ruidosa. Uma sensação curiosa.

Cheguei em casa às 15h com uma dor de cabeça colossal. Nem tive ânimo de sair para comer, ataquei os pães de forma mesmo e resolvi esperar até o lanche da tarde. Agora é só quinta-feira que tenho compromisso, feriadaço mesmo.

Cota diária

Posted in dia-a-dia on Novembro 8, 2007 by Lúcio

E o dia hoje vai ser puxado. À tarde combinei com um amigo de ensiná-lo a usar um programa que faz, entre outras coisas, síntese de som, que é o que estamos estudando nesse período. É um daqueles programas que tem tantos recursos que você acaba se perdendo no meio de tantos objetos. A interface é até “friendly”, mas tem muita coisa pra mexer, espero me lembrar da maioria.

Se der tempo vou da casa dele pro ensaio da orquestra, senão fico lá até a hora de irmos pro ensaio do Ensemble. Recebemos a música nova que vamos gravar com a orquestra de Niterói. Chaaaata… Erros de prosódia crassos. E tudo meio “frouxo”, sei lá, vamos ver com a orquestração como fica. Por essa e por outras coisas o ensaio do Ensemble deve ir até às 21h. Depois é só voltar pra casa e ver qual a música que não vai me deixar dormir hoje.