Que fim-de-ano é esse?! Ah não, preciso de férias!
Bom, pelo menos ontem foi a prova de Regência e eu passei. E isso é ótimo! Vamos ver o que nos aguarda o próximo período. A prova em si não foi assim tão difícil. Pudemos escolher qual peça faríamos, dentre os quatro movimentos da 1ª Sinfonia de Beethoven e os dois da “Inacabada” de Schubert. Fiquei em dúvida, mas acabei escolhendo o primeiro movimento do Beethoven. Quis ser o primeiro a reger para ficar logo livre. É claro que tomei meus 20mg de propranolol para beta-bloquear tudo o que fosse possível.
Esse remédio é uma coisa ótima na vida de um músico. Me foi indicado pelo meu irmão farmacêutico que, na época, tinha que tomar por causa de hipertensão. Ele me explicou que a substância não impede a produção de adrenalina, mas sim impede a sua absorção pelo organismo, então ela não tem os efeitos que me são indesejáveis. Já sofri muito com isso. Toco piano desde criancinha e toda vez que ia tocar em público minhas mãos tremiam e ficavam bambas, depois passou a me tremer as pernas e mais tarde a cabeça. E tentar não tremer me deixava mais nervoso, o que me fazia tremer mais e virava um ciclo desagradabilíssimo.
Até que fui fazer vestibular para Música e tinha que fazer o tal ‘teste de habilidades específicas’, que é fazer, além do vestibular normal, uma prova de música, com questões referentes a harmonia, solfejo, ditado musical, além de uma prova prática no instrumento de escolha, no meu caso escolhi o piano. E, na minha época, os candidatos a Regência que escolhiam piano tinham que fazer a mesma prova dos candidatos a bacharelado nesse instrumento. A saber: uma peça de autor brasileiro, uma de autor estrangeiro, um movimento vivo de sonata clássica ou romântica, um prelúdio e fuga do “Cravo Bem Temperado” e um estudo do “Gradus ad Parnassum” ou dos de Mozkovski. O que eu toquei foi, nessa ordem: A Lenda do Caboclo, de Villa-Lobos; Prelúdio em Dó sustenido menor, de Rachmaninof; o primeiro movimento da sonata nº1 em fá menor, de Beethoven; o prelúdio e fuga 21 em si bemol maior, do livro I, de Bach; e o estudo nº5 do Gradus ad Parnassum, de Clementi. Essa prova de piano foi minha maior nota. E foi para essa prova que usei pela primeira vez um beta-adrenérgico. E foi ótimo.
A gente tinha que esperar numa salinha – ah, sempre essas salinhas de espera, com suas luzes fracas, ambiente lúgubre e antiquado, com um cheiro que fica marcado para sempre. E ouvíamos a prova dos outros candidatos, o que não colabora em nada para a nossa tranqüilidade. Havia uma mesa grande onde me debruçava e tentava me concentrar na prova, mas o som dos outros me atrapalhava. Na época eu fumava, mas não se podia fumar naquele ambiente, senão teria ido facilmente meio maço de espera. Os fiscais falavam coisas, mas eu não conseguia assimilar nada. Sentia o corpo produzindo litros de adrenalina, mas minhas mãos continuavam firmes. Eu só sentia uma ansiedade e uma excitação que eram quase agradáveis, se não fosse a situação em si. Ah, são pouquíssimas pessoas que gostam de fazer prova, vai.
E eu entrei na sala, com meu papelzinho com meu nome completo, meu curso almejado e a relação de peças que iria tocar. A banca examinadora consistia de três professores. Me sentei ao piano e toquei a primeira, a segunda. No movimento da sonata, quando cheguei no fim da exposição eles me pediram para ir para a próxima, um alívio.
E toquei meu programa todo sem grandes problemas. Eu tinha estudado como nunca para essa prova, eu estava tocando muito bem. Depois de tudo, prova de leitura à primeira vista. Me deram uma partitura manuscrita para que eu tocasse ao piano sem conhecer. Foi bom, acho, não me lembro direito.
Então, para a prova de Regência ontem eu tomei o bloqueador e a batuta não tremeu. Foi bom, mas acho que já regi melhor antes. O professor chamou outro professor de regência para ser nossa ‘banca’ e depois que todos regemos fizemos uma reunião para se discutir nossa prova. A mim foi dito para que não contasse tanto compasso e regesse mais a música em si. Além de prestar atenção à contagem – houve momentos que me distraí e troquei o 1 pelo 2, mas corrigi depois.
E fomos liberados sem saber se tínhamos passado ou não. Depois é que conversei com uma amiga que esteve com o meu professor e ele disse que todos havíamos passado. Após a prova tive que ir correndo para o Fundão porque o Ensemble iria se apresentar na Jornada de Extensão. Resolvi ir de metrô, e minha cabeça continuava na prova de regência. Cheguei em Del Castilho e entrei no ônibus errado; descobri depois que passei na roleta, ou seja, tive que pagar outra passagem no ônibus certo. Chegando no Fundão, quase na porta do CCMN, encontrei uma menina do Ensemble e ela disse que já haviam cantado, que foi adiantado para todos saírem mais cedo. E eu não fui avisado. Que beleza, fiquei tão contente.
Voltei para a Escola e fui almoçar. Daí tinha que esperar até às 16h para a aula de viola. Tive aula de viola e de lá fui ensaiar o quarteto que vou cantar no dia 30. Depois fomos para a aula de canto coral e depois ensaio do Ensemble, com as quatro harpas. O ensaio foi horrível, todos cansados, irritados pelo cansaço do dia, não rendeu muito.
Bom, hoje é um novo dia e tenho que estudar musiquinhas de Natal e fazer projeto de Tecnologia Musical.