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Das coisas boas

Posted in Considerações, Música on Maio 31, 2008 by Lúcio

E “Maroquinhas”, com a récita de ontem, encerrou com chave de ouro a temporada. Foram quatro récitas, o que todos acharam muito pouco, todas com lotação máxima. A criançada toda vidrada nos personagens muito bem interpretados pelos cantores. Sucesso arrasador de crítica e público. Todos estão de parabéns.

Dos estranhos pensamentos

Posted in Considerações on Maio 30, 2008 by Lúcio

Acho tão estranho chegar e o elevador estar lá me esperando. Tenho medo; uma coisa meio “Elevador Sem Destino”, pé de pato bangalô três vezes.

Das surpresas que nos forçamos a nós mesmos

Posted in Considerações, dia-a-dia on Abril 13, 2008 by Lúcio

É uma experiência interessante. Peguei um programinha que diz quem está te bloqueando no MSN naquele momento. Pessoas que eu nunca achei que fossem me bloquear, estavam na lista. É estranho.

E olha que eu sempre defendi que ninguém é obrigado a conversar com ninguém, que MSN não pode ser modelo de vida de ninguém, que nenhuma amizade deveria se basear só e unicamente em internet. Mas acontece que ver os nomes ali foi estranho, mesmo os das pessoas que eu já sabia que me bloqueavam.

Enfim, um golpe na auto-estima, mas nada que eu não possa superar. Porque, afinal de contas, quem sai perdendo são eles.

Somos todos flores no jardim da vovó

Posted in Considerações on Fevereiro 12, 2008 by Lúcio

Faz dois dias que voltei da cidade dos meus antepassados e ainda sinto sua presença. Estarei tranqüilo enquanto houver dentro de mim ainda que um grão daquela terra.

Fui pensando em matar saudades. Planejei-me para ficar 10 dias por lá, mesmo sabendo que não há muita agitação. Houve momentos de puro marasmo, ócio e uma vontade louca de fazer alguma coisa. Um pouco de solidão também aconteceu. Houve tardes em que já havia feito tudo o que poderia fazer, a casa estava vazia e eu prostrado no sofá num canto da casa. Cheguei até a sentir saudade da época em que fumava, o cigarro ocupa lugar na vida da gente. Eu teria fumado horrores, certamente, mas não, passei pela vontade de fumar incólume, sinto-me muito melhor em não ter recaído nesse velho vício/hábito.

Aquela cidade tem uma força dentro de mim, a força das raízes profundas, a força do sangue quente e caldaloso. Foi um tempo ótimo o que passei lá, esses dez dias me fizeram enxergar algumas coisas. Uma delas foi que a presença da família na minha vida é um grande diferenciador meu. Tenho certeza de que grande parte da minha personalidade foi formada na cozinha da vovó, grande e calorosa, todos juntos fazendo uma refeição sob o olhar de vovó e vovô. Adoro falar da minha família, mesmo quando era criança sentia orgulho dos meus 11 tios e tias, seus respectivos cônjuges, namorados, mancebos e meus muitos primos e primas queridas. Um dia falo deles um pouco mais.

Meu carnaval foi muito tranqüilo, baralho, vinho, alguma televisão e contemplação na varanda ou na frente da padaria. Ah, e um delicioso sorvete italiano só fabricado lá. Sabe o que ficou faltando? Um bom banho de cachoeira, mas isso não é tão difícil. Saí de lá renovado, minhas raízes mais uma vez sorvem daquela terra os nutrientes, a vida.

Vovó cuida do seu jardim e de nós

Da voz humana, de São Sebastião e de Jane Chiesse

Posted in Considerações, Música on Janeiro 20, 2008 by Lúcio

Essa semana foi puxada. Me inscrevi numa “jornada” de canto coral. A semana inteira ficamos das 10h às 18h somente por conta do canto coral. Previamente recebemos as cinco partituras que iriam ser trabalhadas e que deveriam ser estudadas em casa, antes de começar a jornada.

O regente responsável é um excelente profissional, muito bem reconhecido no meio e muito admirado. Foi muito bom, éramos umas 70 pessoas ali com, pelo menos, um objetivo comum, o canto coral em si. Houve momentos de discussão, tendo como princípio as próprias peças do repertório selecionado. Cada dia começávamos com uma das peças e a discussão ia para várias direções.

Foi cansativo sim, porém foi lindo ver todas aquelas pessoas empenhadas em um único objetivo. Todos participando e querendo o melhor, querendo vencer barreiras, as próprias barreiras, querendo aprender, melhorar. Pessoas de todas as idades, tipos, formatos, origens, todos buscando dentro de si a melhor maneira de fazer as coisas.

Lidar com a voz é algo de um poder incrível. Muda tudo dentro de você, a sua história passa a ser dividida em antes e depois de ter começado a cantar. Comigo foi assim, depois que comecei a cantar, a explorar o universo de vibrações que há dentro de mim, tudo mudou. E sou mais feliz hoje por causa disso, tenho certeza.

É uma experiência que não esquecerei. Todos dividindo o espaço e o ar tão harmoniosamente.

E hoje é dia de São Sebastião, padroeiro tanto do Rio de Janeiro quanto da minha cidade no interior. E dizem também ser padroeiro dos gays. Lá na minha cidade tem quermesse na rua principal durante o fim-de-semana todo.

Aqui no Rio o tempo está abafado, depois da chuva de ontem. Continua quente, um mormaço dá aquela impressão de panela de pressão. Tudo quente e esbranquiçado.

São Sebastião - Instalação de Jane Chiesse

São Sebastião – Instalação de Jane Chiesse

Do tempo que ainda resta

Posted in Considerações on Dezembro 31, 2007 by Lúcio

O meu Natal foi ótimo. Família reunida, amigos, sorrisos, presentes, comilança da boa. Fuji para minha cidadezinha durante uma semana e pude desfrutar da vida menos barulhenta de uma cidade menor. Saí pouco de casa nesse período e me diverti horrores.

Meu ano novo, que é daqui a pouco, vai ser só com meu amor e o céu estrelado, hoje enfeitado com os fogos. Já começo a sentir o cheiro de ceia dos outros apartamentos, às vezes invade um perfume de alguém tomando banho, se preparando para sair para alguma festa, ou para a festa em casa mesmo. Olhando as janelas alheias, vejo televisões ligadas e uma alegria me preenche.

A noite vai ser calorenta. O céu está de um azul indescritível. Estou feliz.

Posted in Considerações, dia-a-dia on Dezembro 3, 2007 by Lúcio

E chega essa época do ano em que mais as pessoas se mobilizam para que aconteça. Gasta-se muito dinheiro com festas, presentes, roupas para as festas e acaba-se deixando mais solta a gastação. Eu gosto dessa época. Tempo de tradições serem mais uma vez reafirmadas e as famílias fortalecerem seus laços. Ou não.

Bom, lá em casa é época de todos voltarem. Quem saiu, que arranje um jeito de passar um tempo por lá, senão é tristeza e falação na certa. E estão certos, fico feliz de voltar. Não se enganem, vou para lá mais ou menos de três em três semanas, mas quando chega essa época, época de férias, de descanso, fico mais que contente em ir para a rodoviária debaixo de um calorão, com mala pesada, com pressa. A rodoviária está cheíssima, com pessoas igualmente encaloradas e apressadas. A fila no guichê sem extende pelo espaço. Pode-se ter a sorte de encontrar ônibus saindo dali a meia hora, mas o normal é ter que esperar uma hora ou mais. E naquela rodoviária tem poucos bancos, o que significa que vou ter que ler meu livro em pé.

Uma tradição lá em casa é eu e nosso irmão postiço arrumarmos a árvore, juntamente com minha mãe. Já faz tempos que é assim, e não é porque eu moro aqui no Rio que isso vai mudar. Então nesse fim-de-semana passado nos encontramos lá em casa para montarmos tudo.

O natal encaixotado O natal encaixotado

O natal montadoO natal montado

Dos satélites

Posted in Considerações on Novembro 23, 2007 by Lúcio

Caramba, eu juro pelo que há de mais sagrado que eu não sabia que ontem era dia de Ação-de-Graças! E eu lá agradecendo mil coisas. Será que estava no ar? Será que eu tenho antena wireless?

Das estrelinhas douradas que ganhamos

Posted in Considerações, Música on Novembro 22, 2007 by Lúcio

Hoje é dia de Santa Cecília, a padroeira dos Músicos. Apesar de ser músico, não sou devoto dessa santa, tampouco sou devoto de qualquer santo. Até seria interessante ser, mas não consigo ser devoto de nada nessa vida. Gostaria de homenagear o responsável por existir Música no mundo. Essa Música tem me dado tantos momentos ótimos, queria agradecer por qualquer coisa que fosse. Já me disseram que tinha que agradecer a mim mesmo, mas não é a mesma coisa. Queria que tivesse um “culpado” por isso, como a gente sempre quer um culpado externo para tudo o que acontece.

 Tenho uma pequenina imagem de Santa Cecília ao lado do monitor do computador, pode ser que me ajude em alguns momentos; pelo sim, pelo não, ela fica ali. Foi presente.

 Mas o fato é que minha religiosidade tem diminuído nesses últimos anos. Ainda mantenho alguma, mas os questionamentos aumentam e as certezas diminuem.

 Nesse ano que acaba daqui a pouco, foi quando primeiramente fui solista do coro que canto. Uma emoção inenarrável, só por isso já tenho o que agradecer até o fim da vida. Não só pela experiência em si, como fato isolado, mas também como a abertura de muitas possibilidades na minha vida. O vencimento do medo de solar, achando que minha voz não era para tanto. O convencimento de que tenho sim uma boa voz capaz de me fazer ir pra frente do palco e sorrir enquanto os olhos se voltam para mim. Sim, todo artista é narcisista. Todo.

 Também teve a minha peça na Bienal, que também foi um marco, um degrau que subi. Depois de não ter passado no concurso do Sesi-Minas e também no concurso Cláudio Santoro, a auto-confiança diminui bastante. E daí, quando menos se espera, deitado na cama à tarde vendo tv, o telefone toca e uma voz com sotaque paulistano me diz que minha peça tinha sido selecionada para a Bienal. Muito legal. E depois teve a apresentação da mesma, o que me deixou extasiado, pisando em plumas. Minha família veio para o Rio, amigos vieram prestigiar junto comigo, foi um dia especial que ficará guardado para sempre nessa cabeça tão cheia de coisas.

 E eu queria dizer “obrigado” para alguém. Por eu estar com 30 anos e fazendo o que eu mais amo nessa vida, que é a Música. Como em qualquer situação em que se sente premiado, agradeço primeiramente à minha família, ao meu amorzão, aos meus amigos, aos amores dos meus amigos, aos conhecidos, aos professores, aos colegas, a Santa Cecília, a Oxum, às iaras. E ao silêncio necessário para que a Música aconteça.

Praça da Bandeira

Dos ventos que se tem notícia

Posted in Considerações, dia-a-dia on Novembro 19, 2007 by Lúcio

E o sol voltou a brilhar por estas bandas. Ontem mesmo o dia já estava bem bonito, claro, porém ainda preservando a brisa fresca dos tempos de chuva.

Para aproveitar o belo dia, fomos passear na Quinta da Boa Vista. Sim, um programa suburbano, passear na Quinta no domingo. O lugar é muito bonito, muitas árvores centenárias, lugares para sentar e apreciar a paisagem e é ótimo para caminhar. Muitas famílias com seus rebentos correndo pelos gramados, piqueniques, bolas, e um cheiro de cachorro-quente constante no ar. Achei ter visto Dom Raphael Pascoal, O Venturoso perambulando com uma turma, mas acho que me enganei.

Lá dentro tem o zoológico que já tinha visitado quando criança numa excursão de colégio. Nem me lembrava mais de nada, além de estar tudo diferente mesmo. O cheiro característico de zoológico, inconfundível. Até que está bem cuidado. Mas desta vez fiquei com pena dos animais. Sei lá, as jaulas e gaiolas me pareceram incrivelmente pequenas. Acho que nenhum tamanho seria suficiente para que eu me tranqüilizasse (vou usar o trema até ser ameaçado de prisão, ok); aqueles pássaros, macacos, animais grandes tendo que viver naquele pequeno quadrado, não sei, não fiquei confortável. E isso nunca tinha me acontecido, já fui várias vezes a zoológicos e nunca me condoí tanto quanto dessa vez. Percebi no entanto que esses animais já estão neuróticos, não tem como ser são e viver aquela realidade, há de se fugir dela para conseguir se manter vivo. Aqueles bichos já estão loucos. Mas a experiência foi agradável, no fim das contas, não me arrependo de ter ido não. Estava com meu amor e estava tudo bem. Até vimos um casalzinho gay de mãos dadas na passarela da fauna. Essa passarela vai sobre uma grande área onde vivem capivaras, emas, galinhas d’angola e veados. A piada era óbvia, mas foi dita mesmo assim “ih, dois fugiram”. A minha real vontade era ir parabenizar os dois. Na maior, nem ligando, e as pessoas pareciam também não se importar muito não. Adorei.

Hoje o tempo parece ter firmado no sol. A cigarra canta avisando que vamos ter sol amanhã também, pelo menos. Eu estava adorando, mas era um disparate aquele frio em pleno novembro. Quem me dera ficasse daquele jeito até maio, junho.

O dia está bonito e não tenho muito a fazer. Já calejei meus dedos estudando a viola e percebi algum progresso. Tenho que estudar regência, semana que vem é a prova e não posso repetir novamente. Eu ia compor, mas o sibelius está preguiçoso hoje, não quer carregar de jeito nenhum, vou ter que fazer na mão mesmo, ou então no notebook.

O dia está bonito sim e se aproxima o fim do ano. Estão sentindo?

Panorâmica