Dos bolos de chocolate

Tenho acompanhado a produção de uma opereta, a Maroquinhas Fru-Fru, de Ernst Mahle, e tem sido uma experiência muito diferente. Para começar, os cantores têm que atuar e isso é mais complicado, mais complexo do que possa parecer. Tem os diretores cênicos que marcam a movimentação dos cantores pelo palco improvisado no foyer da Escola e os cantores têm que combinar toda a técnica do canto com o tempo de percorrer os pontos marcados, o famoso timming.

Ainda por cima é uma ópera cômica e fazer comédia é ainda mais difícil, acredito. É uma ópera para crianças, na verdade. A história é simples, porém a música tem que parecer simples, mas não é. Encenada pela primeira vez em 1961, é na sua maioria formada por recitativos, que têm estrutura mais livre em relação à harmonia, sendo comandados pelo ritmo das palavras. Cantar recitativos já é complicado por si só porque há de se adequar o ritmo do texto ao da música; os instrumentos tocam acordes, basicamente, sobre os quais os cantores têm que cantar suas linhas melódicas claramente para que a platéia entenda o que se está dizendo, fazendo com que tudo pareça o mais natural possível. E isso dá MUITO trabalho.

Fora isso, como a opereta foi escrita por volta de 61, a harmonia, as linhas melódicas não têm tanto compromisso com a tonalidade “clássica”, digamos, já que nesse período já se havia rompido todas essas barreiras tonais.

No entanto, é simplesmente maravilhoso ver meus amigos envolvidos nessa produção, estou adorando e me divertindo muito. A opereta será apresentada no fim de maio, serão quatro récitas, na Escola de Música da UFRJ, depois eu passo o serviço completo.

Uma resposta para “Dos bolos de chocolate”

  1. Mesmo sendo um leigo nessa área, pareceu-me interessante!

    Passe, sim, o serviço para os amigos!

    E em junho estréia a exposição sobre Aracy de Almeida, que estou montando com um grupo de amigos!

    Abração, rapaz!

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