Dos ciclos completos
Vejo o tempo mudando. Vejo as pessoas mudando. Vejo-me mudando. Mudado. Estou diferente, tenho certeza. Meu aniversário passou e nem me dei muita conta disso. Os amigos (quase) todos se lembraram, mandaram seus melhores sentimentos em forma de palavra escrita, falada, pensada, e fiquei muito feliz com isso.
O problema é que antes eu sentia quase organicamente a mudança, o dia do aniversário. Até o ano passado eu seria capaz de reconhecê-lo mesmo se tivesse uma amnésia. É um dia completamente diferente dos outros. A luz, as sombras, o som, as cores, tudo ficava diferente sem que eu saiba especificamente qual a diferença de que tanto falo.
Me lembro dessa sensação quando ainda era criança. Não era felicidade, nem tristeza tampouco. Mas havia um constrangimento em ter tanta atenção voltada para mim. Nunca soube ser o centro das atenções mesmo que quisesse muito ser. É muita responsabilidade. Hoje sei melhor como administrar esse sentimento estranho, mas está longe de ser ideal.
Talvez o fato de eu ter passado o dia do meu aniversário de cama com uma intoxicação alimentar tenha ajudado para que eu nem me lembrasse do fato de ter nascido há exatamente 31 anos. Também estou tendo dificuldades em achar coisas boas no fato de ter 31 anos…