Arquivo para Abril, 2008

Dos bolos de chocolate

Postado em Música em Abril 16, 2008 por Lúcio

Tenho acompanhado a produção de uma opereta, a Maroquinhas Fru-Fru, de Ernst Mahle, e tem sido uma experiência muito diferente. Para começar, os cantores têm que atuar e isso é mais complicado, mais complexo do que possa parecer. Tem os diretores cênicos que marcam a movimentação dos cantores pelo palco improvisado no foyer da Escola e os cantores têm que combinar toda a técnica do canto com o tempo de percorrer os pontos marcados, o famoso timming.

Ainda por cima é uma ópera cômica e fazer comédia é ainda mais difícil, acredito. É uma ópera para crianças, na verdade. A história é simples, porém a música tem que parecer simples, mas não é. Encenada pela primeira vez em 1961, é na sua maioria formada por recitativos, que têm estrutura mais livre em relação à harmonia, sendo comandados pelo ritmo das palavras. Cantar recitativos já é complicado por si só porque há de se adequar o ritmo do texto ao da música; os instrumentos tocam acordes, basicamente, sobre os quais os cantores têm que cantar suas linhas melódicas claramente para que a platéia entenda o que se está dizendo, fazendo com que tudo pareça o mais natural possível. E isso dá MUITO trabalho.

Fora isso, como a opereta foi escrita por volta de 61, a harmonia, as linhas melódicas não têm tanto compromisso com a tonalidade “clássica”, digamos, já que nesse período já se havia rompido todas essas barreiras tonais.

No entanto, é simplesmente maravilhoso ver meus amigos envolvidos nessa produção, estou adorando e me divertindo muito. A opereta será apresentada no fim de maio, serão quatro récitas, na Escola de Música da UFRJ, depois eu passo o serviço completo.

Das surpresas que nos forçamos a nós mesmos

Postado em Considerações, dia-a-dia em Abril 13, 2008 por Lúcio

É uma experiência interessante. Peguei um programinha que diz quem está te bloqueando no MSN naquele momento. Pessoas que eu nunca achei que fossem me bloquear, estavam na lista. É estranho.

E olha que eu sempre defendi que ninguém é obrigado a conversar com ninguém, que MSN não pode ser modelo de vida de ninguém, que nenhuma amizade deveria se basear só e unicamente em internet. Mas acontece que ver os nomes ali foi estranho, mesmo os das pessoas que eu já sabia que me bloqueavam.

Enfim, um golpe na auto-estima, mas nada que eu não possa superar. Porque, afinal de contas, quem sai perdendo são eles.

Dos ciclos completos

Postado em Uncategorized em Abril 2, 2008 por Lúcio

Vejo o tempo mudando. Vejo as pessoas mudando. Vejo-me mudando. Mudado. Estou diferente, tenho certeza. Meu aniversário passou e nem me dei muita conta disso. Os amigos (quase) todos se lembraram, mandaram seus melhores sentimentos em forma de palavra escrita, falada, pensada, e fiquei muito feliz com isso.

O problema é que antes eu sentia quase organicamente a mudança, o dia do aniversário. Até o ano passado eu seria capaz de reconhecê-lo mesmo se tivesse uma amnésia. É um dia completamente diferente dos outros. A luz, as sombras, o som, as cores, tudo ficava diferente sem que eu saiba especificamente qual a diferença de que tanto falo.

Me lembro dessa sensação quando ainda era criança. Não era felicidade, nem tristeza tampouco. Mas havia um constrangimento em ter tanta atenção voltada para mim. Nunca soube ser o centro das atenções mesmo que quisesse muito ser. É muita responsabilidade. Hoje sei melhor como administrar esse sentimento estranho, mas está longe de ser ideal.

Talvez o fato de eu ter passado o dia do meu aniversário de cama com uma intoxicação alimentar tenha ajudado para que eu nem me lembrasse do fato de ter nascido há exatamente 31 anos. Também estou tendo dificuldades em achar coisas boas no fato de ter 31 anos…