De todas as coisas

Uma coisa que definitivamente me tira completamente a vontade de escrever é o calor. Parece frescura, mas simplesmente fico completamente inerte, com vontade de dormir e acordar em maio.

Bom, desde que voltei da cidade dos meus antepassados não tenho feito muita coisa não. Estou de férias ainda, escrevi umas duas músicas, ouvi poucas. Estou trabalhando na minha série de “Fugas Domésticas”, que têm basicamente a forma de uma fuga escolástica, mas que aos poucos vão se soltando e se desconstruindo. As três primeiras foram compostas como trabalho para a aula de Contraponto; são originalmente para coro,mas adaptei-as para quarteto de madeiras (flauta, oboé, clarinete e fagote, para quem não conhece). A partir da quarta comecei já a pensar nessa formação. A oitava é uma das que mais gosto, pois já o tema contém elementos contemporâneos e no conteúdo também consegui dar um ar mais moderno. A 11ª ficou bem cromática e eu adorei. Acabei de escrever a 12ª e a fiz totalmente usando escalas octatônicas, o que dar um ar esquisito, sempre mal resolvido, como se ela contivesse somente acordes diminutos. Não ficou longa, dura uns 2 minutos e meio, e no final não agüentei e coloquei uma cadência plagal, contrastando com todo o resto e dando um fechamento que relaxa a gente. Não precisava, gosto de coisas inesperadas e terminá-la suspensa, sem a resolução, traria uma surpresa, mas preferi a cadência. Pelo menos não terminei com a picarda, o que já seria um pouco demais.

Assisti “Sweeney Todd” e adorei. Conversei com dois amigos meus que também viram e eles não se empolgaram muito com o filme. O principal argumento dos dois é que era “musical demais”. Um deles não é muito fã de musicais mesmo, então um filme como esse, quase uma ópera, pode ser uma experiência enfadonha. Eu gostei de tudo, inclusive do fato de ser uma quase ópera. Achei a música bem feita, bem estruturada, contemporânea e no limiar entre música “clássica” e música “não-clássica”. Achei o fato dos atores, que não são cantores primeiramente, cantarem suas partes sem dublagem, o que dá uma veracidade maior ao filme. Gostei do fato de parecer que Tim Burton perdeu uma inocência que sempre transparecia em seus filmes. Em “Sweeney…” não há redenção, nem esperança, nem um final feliz. Como eu disse, gosto de surpresas. Nem todas, mas gosto.

Ultimamente também assisti “O Labirinto do Fauno” e fiquei um pouco fosco (ou “turvo”, como dizia meu amigo Mutatis Mutandis) depois, tamanha a tristeza e violência. Gostei da história, dos atores, dos cenários e tudo. Um filme muito bom.

Estou adorando a nova temporada de Desperate Housewives.

E por último, estou igualmente adorando American Idol 7. Achei nível dos cantores bem alto, difícil de escolher um só.

Ah, e não se esqueçam que dia 7 de março de Carmina Burana na Sala Cecília Meireles, às 20h. É a versão “de câmara”, com dois pianos (Duo Bretas-Kevorkian) e percussão, mais coros adulto e infantil e solistas. Regência de Ricardo Rocha.

P.S.: Só consegui escrever esse post porque o tempo fechou, as nuvens encaparam a cidade e o vento fresco conseguiu soprar.

Uma resposta para “De todas as coisas”

  1. Sou grande admirador da obra de Tim Burton, mas ainda não vi Sweeney Todd. Confesso que estou deveras curioso, mas ainda não encontrei tempo.
    A parceria com Johnny Depp é algo que transcende qualquer explicação: ambos fazem tudo ficar perfeito.

    Com relação à nova temporada de Desperate Housewives, preciso confessar que não me animou muito. Talvez pela greve dos roteiristas, que cortou a história em um ponto crucial… não sei. Preciso esperar o retorno para conceber uma opinião mais concreta.

    Ademais, Chirli manda saudações.

    [ ]’s

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