Arquivo para Fevereiro, 2008

De todas as coisas

Postado em Uncategorized em Fevereiro 26, 2008 por Lúcio

Uma coisa que definitivamente me tira completamente a vontade de escrever é o calor. Parece frescura, mas simplesmente fico completamente inerte, com vontade de dormir e acordar em maio.

Bom, desde que voltei da cidade dos meus antepassados não tenho feito muita coisa não. Estou de férias ainda, escrevi umas duas músicas, ouvi poucas. Estou trabalhando na minha série de “Fugas Domésticas”, que têm basicamente a forma de uma fuga escolástica, mas que aos poucos vão se soltando e se desconstruindo. As três primeiras foram compostas como trabalho para a aula de Contraponto; são originalmente para coro,mas adaptei-as para quarteto de madeiras (flauta, oboé, clarinete e fagote, para quem não conhece). A partir da quarta comecei já a pensar nessa formação. A oitava é uma das que mais gosto, pois já o tema contém elementos contemporâneos e no conteúdo também consegui dar um ar mais moderno. A 11ª ficou bem cromática e eu adorei. Acabei de escrever a 12ª e a fiz totalmente usando escalas octatônicas, o que dar um ar esquisito, sempre mal resolvido, como se ela contivesse somente acordes diminutos. Não ficou longa, dura uns 2 minutos e meio, e no final não agüentei e coloquei uma cadência plagal, contrastando com todo o resto e dando um fechamento que relaxa a gente. Não precisava, gosto de coisas inesperadas e terminá-la suspensa, sem a resolução, traria uma surpresa, mas preferi a cadência. Pelo menos não terminei com a picarda, o que já seria um pouco demais.

Assisti “Sweeney Todd” e adorei. Conversei com dois amigos meus que também viram e eles não se empolgaram muito com o filme. O principal argumento dos dois é que era “musical demais”. Um deles não é muito fã de musicais mesmo, então um filme como esse, quase uma ópera, pode ser uma experiência enfadonha. Eu gostei de tudo, inclusive do fato de ser uma quase ópera. Achei a música bem feita, bem estruturada, contemporânea e no limiar entre música “clássica” e música “não-clássica”. Achei o fato dos atores, que não são cantores primeiramente, cantarem suas partes sem dublagem, o que dá uma veracidade maior ao filme. Gostei do fato de parecer que Tim Burton perdeu uma inocência que sempre transparecia em seus filmes. Em “Sweeney…” não há redenção, nem esperança, nem um final feliz. Como eu disse, gosto de surpresas. Nem todas, mas gosto.

Ultimamente também assisti “O Labirinto do Fauno” e fiquei um pouco fosco (ou “turvo”, como dizia meu amigo Mutatis Mutandis) depois, tamanha a tristeza e violência. Gostei da história, dos atores, dos cenários e tudo. Um filme muito bom.

Estou adorando a nova temporada de Desperate Housewives.

E por último, estou igualmente adorando American Idol 7. Achei nível dos cantores bem alto, difícil de escolher um só.

Ah, e não se esqueçam que dia 7 de março de Carmina Burana na Sala Cecília Meireles, às 20h. É a versão “de câmara”, com dois pianos (Duo Bretas-Kevorkian) e percussão, mais coros adulto e infantil e solistas. Regência de Ricardo Rocha.

P.S.: Só consegui escrever esse post porque o tempo fechou, as nuvens encaparam a cidade e o vento fresco conseguiu soprar.

Flickr

Postado em Uncategorized em Fevereiro 14, 2008 por Lúcio

This is a test post from flickr, a fancy photo sharing thing.

Somos todos flores no jardim da vovó

Postado em Considerações em Fevereiro 12, 2008 por Lúcio

Faz dois dias que voltei da cidade dos meus antepassados e ainda sinto sua presença. Estarei tranqüilo enquanto houver dentro de mim ainda que um grão daquela terra.

Fui pensando em matar saudades. Planejei-me para ficar 10 dias por lá, mesmo sabendo que não há muita agitação. Houve momentos de puro marasmo, ócio e uma vontade louca de fazer alguma coisa. Um pouco de solidão também aconteceu. Houve tardes em que já havia feito tudo o que poderia fazer, a casa estava vazia e eu prostrado no sofá num canto da casa. Cheguei até a sentir saudade da época em que fumava, o cigarro ocupa lugar na vida da gente. Eu teria fumado horrores, certamente, mas não, passei pela vontade de fumar incólume, sinto-me muito melhor em não ter recaído nesse velho vício/hábito.

Aquela cidade tem uma força dentro de mim, a força das raízes profundas, a força do sangue quente e caldaloso. Foi um tempo ótimo o que passei lá, esses dez dias me fizeram enxergar algumas coisas. Uma delas foi que a presença da família na minha vida é um grande diferenciador meu. Tenho certeza de que grande parte da minha personalidade foi formada na cozinha da vovó, grande e calorosa, todos juntos fazendo uma refeição sob o olhar de vovó e vovô. Adoro falar da minha família, mesmo quando era criança sentia orgulho dos meus 11 tios e tias, seus respectivos cônjuges, namorados, mancebos e meus muitos primos e primas queridas. Um dia falo deles um pouco mais.

Meu carnaval foi muito tranqüilo, baralho, vinho, alguma televisão e contemplação na varanda ou na frente da padaria. Ah, e um delicioso sorvete italiano só fabricado lá. Sabe o que ficou faltando? Um bom banho de cachoeira, mas isso não é tão difícil. Saí de lá renovado, minhas raízes mais uma vez sorvem daquela terra os nutrientes, a vida.

Vovó cuida do seu jardim e de nós