Arquivo para Janeiro, 2008

Dos planos

Posted in Uncategorized on Janeiro 31, 2008 by Lúcio

Amanhã parto para a cidade natal de meu pai. Felizmente dessa vez vou de avião e não precisarei ficar as 12 horas no ônibus. Maravilha.

Mas hoje minha irmã chega e juntos vamos à peça do nosso cunhado. É a minha segunda vez e a primeira dela, estou curioso para saber sua reação, já que a peça é toda interativa e fazem coisas com a platéia vendada e descalça.

Das duas de hidrogênio e uma de oxigênio

Posted in dia-a-dia on Janeiro 29, 2008 by Lúcio

Um dos verões mais frios que se tem notícia. Vocês estão reclamando? Tudo bem, a chuva pode atrapalhar alguns planos, mas beneficiam outros, não acham?

Praça da Bandeira sob chuva

Da voz humana, de São Sebastião e de Jane Chiesse

Posted in Considerações, Música on Janeiro 20, 2008 by Lúcio

Essa semana foi puxada. Me inscrevi numa “jornada” de canto coral. A semana inteira ficamos das 10h às 18h somente por conta do canto coral. Previamente recebemos as cinco partituras que iriam ser trabalhadas e que deveriam ser estudadas em casa, antes de começar a jornada.

O regente responsável é um excelente profissional, muito bem reconhecido no meio e muito admirado. Foi muito bom, éramos umas 70 pessoas ali com, pelo menos, um objetivo comum, o canto coral em si. Houve momentos de discussão, tendo como princípio as próprias peças do repertório selecionado. Cada dia começávamos com uma das peças e a discussão ia para várias direções.

Foi cansativo sim, porém foi lindo ver todas aquelas pessoas empenhadas em um único objetivo. Todos participando e querendo o melhor, querendo vencer barreiras, as próprias barreiras, querendo aprender, melhorar. Pessoas de todas as idades, tipos, formatos, origens, todos buscando dentro de si a melhor maneira de fazer as coisas.

Lidar com a voz é algo de um poder incrível. Muda tudo dentro de você, a sua história passa a ser dividida em antes e depois de ter começado a cantar. Comigo foi assim, depois que comecei a cantar, a explorar o universo de vibrações que há dentro de mim, tudo mudou. E sou mais feliz hoje por causa disso, tenho certeza.

É uma experiência que não esquecerei. Todos dividindo o espaço e o ar tão harmoniosamente.

E hoje é dia de São Sebastião, padroeiro tanto do Rio de Janeiro quanto da minha cidade no interior. E dizem também ser padroeiro dos gays. Lá na minha cidade tem quermesse na rua principal durante o fim-de-semana todo.

Aqui no Rio o tempo está abafado, depois da chuva de ontem. Continua quente, um mormaço dá aquela impressão de panela de pressão. Tudo quente e esbranquiçado.

São Sebastião - Instalação de Jane Chiesse

São Sebastião – Instalação de Jane Chiesse

Reminiscência: pensamento ou impressão que não chegam a ser esquecidos

Posted in Uncategorized on Janeiro 6, 2008 by Lúcio

Desde criança tenho essa sensação que estou tendo agora.

Quando eu era criança, no colégio, em outubro já se começava a pensar no fim do ano. As provas iam chegando e aquele sentimento de término ia se instalando. O calor ia aumentando e uma ansiedade aumentava no peito.

Eu já começava em pensar em Natal e ano novo, em festa e presentes. Meu colégio católico fazia preparativos para a festa de Ação de Graças e Natal. Minha mãe e outras mães ajudavam na confecção dos enfeites e a arrumação dos mesmo na quadra poliesportiva. Tudo era concebido, comandado e supervisionado pela tia Terezinha, a professora de artes. Muitas vezes eu também fui ajudar, eu adorava o clima que ficava. Todos sujos de cola e purpurina. Eu também gostava de ir para o colégio fora do horário de aula, geralmente as reuniões para a festa eram feitas em fins-de-semana, eu ia para encontrar meus colegas e ficar no colégio brincando ou andando de bicicleta.

Então tudo ia sendo preparado para o fim do ano. Juntamente com a festa no colégio, tinha os preparativos para a festa na minha casa que eu também gostava de tomar parte. Via os enfeites e fazia um relatório do que precisávamos para comprar. Bolas de Natal, festões, castiçais, eu gerenciava essas coisas.

Aí ia chegando as provas no colégio e eu, claro, ia passando em todas as matérias. Meu colégio tinha um sistema que os alunos iam sendo dispensados das aulas em que já tinham feito as provas e tinham passado direto, ficavam os que precisavam de recuperação. Então as aulas iam gradativamente acabando e as férias gradativamente começando. Às vezes fazíamos amigo-oculto na casa de alguém que tivesse churrasqueira e piscina.

E assim tudo ia se encaminhando para o clímax que eram as festas lá em casa. Sempre comemoramos com família toda, muita gente, muita comida. E muitos presentes. A festa de Natal era uma maravilha. Minha tia, que é minha madrinha, e minha prima vinham, às vezes minhas tias-avós e seus maridos também vinham e a casa ficava cheia de gente. Todos dormiam onde desse. Minha melhor lembrança desses dias era acordar e ficar na cama ouvindo as pessoas acordando, indo ao banheiro e o barulho de atividade aumentando. As crianças se levantavam e iam brincar com seus brinquedos novos. Esses dias eram especiais.

A maioria dos que vinham para o Natal ficavam até o Ano Novo. Aí a casa ficava cheia por mais de uma semana. No ano novo a festa era igualmente grande, só mudava o cardápio e não recebíamos presentes, claro. Um monte de tradições que tínhamos que dar conta, como bater no prato à meia-noite, comer lentilha de pé na cadeira sobretudo rir muito das minhas tias-avós, principalmente a tia Cida, a irmã do meio, a fanfarrona.

Então as pessoas iam embora de volta para suas casas e a nossa ficava novamente com o mesmo contingente de sempre. E aí me dava aquela sensação que é a que tenho agora, a de que não havia mais nada a se fazer. Um misto de medo do vazio com uma excitação pelas férias e pela falta de ter que ir pro colégio. Passei tanto tempo planejando o Natal e o ano novo que agora me sinto vazio de planos para o futuro próximo. Isso é só uma sensação que vem e que passa, tenho tanta coisa para pensar, na verdade.

Ah, mas os parentes vinham e iam embora, mas não voltava tudo ao normal, ficava uma sensação de dever cumprido. E agora eu tinha que pensar de que eu ia brincar, ó decisão difícil!

Do silêncio imóvel

Posted in Uncategorized on Janeiro 1, 2008 by Lúcio

E como foi a passagem de ano para vocês? A minha foi frugal. Para começar ficamos vendo a caixa do Twin Peaks que dei de Natal para meu amor, vimos dois capítulos em seguida.

Logo após repartimos um mini empadão, foi como se fosse nossa ceia, e na meia-noite abrimos o prosecco e brindamos e ficamos felizes. Colocamos as câmeras na varanda para filmarem os fogos que estouravam em todo lugar.

Depois nos recolhemos para nosso aposento e nos preparamos para dormir. E dormimos até acordar hoje às 8 da manhã. Em ponto.

A cidade está muito calma e silenciosa. Uma névoa branca, seca, domina a paisagem como se fosse ainda a fumaça dos fogos de ontem. Começo a ouvir barulhos de louça sendo lavada nos outros apartamentos, um ou outro rojão estoura atrasado. A vida continua, ela não sabe que é um ano novo. Sensação boa, de quem acaba de comprar um caderno.