E é isso, estou aqui arrumando mala para ir para minha terrinha e passar esses dias com minha família querida. Meu pai já chegou do Espírito Santo, meus irmãos já estão lá e só falta o filho do meio para tudo ficar completo.
Geralmente quem prepara a ceia é meu pai assistido por minha irmã, os dois são ótimos na cozinha e sempre preparam quitutes que são lembrados ao longo dos anos. Minha mãe se preocupa mais com arrumação da casa, os enfeites e a mesa da ceia. Eu a ajudo. Nosso irmão mais velho fica à parte da arrumação, mas elogia muito tudo depois. Nosso outro irmão, o postiço, também ajuda no que puder, leva e traz alguém do supermercado e empresta sua alegria ao momento do Natal em família.
Às vezes um amigo ou outro passa o Natal conosco, de modo a “fugir” de sua própria família ou sua própria solidão. Todos os amigos são bem vindos à nossa mesa sempre e às vezes minha mãe até prepara um presente surpresa improvisado.
Temos a difundida tradição do amigo oculto entre nós. Tradição essa que se iniciou em tempos obscuros de privações materiais e se perpetuou depois que tudo melhorou. Amigo oculto à parte, eu sempre compro presente para meus pais, já que eles têm gastos comigo e tudo o mais, gosto dessa pequena retribuição. Esse ano minha mãe então vai ganhar dois presentes.
Bom, as roupas já estão separadas, dobradas e empilhadas para entrarem na mochila. Tenho que me lembrar de tudo, carregadores, fones, cds, livro para ler na rodoviária esperando o ônibus, já que deve estar lotada, cartões, câmera… Meu amor ainda dorme e estou esperando-o para tomarmos café juntos. O tempo está abafado, mas não está calor, o que é muito bom. Ah, outra coisa para lembrar é o guarda-chuva. Estou com fome.