Arquivo para Dezembro, 2007

Do tempo que ainda resta

Postado em Considerações em Dezembro 31, 2007 por Lúcio

O meu Natal foi ótimo. Família reunida, amigos, sorrisos, presentes, comilança da boa. Fuji para minha cidadezinha durante uma semana e pude desfrutar da vida menos barulhenta de uma cidade menor. Saí pouco de casa nesse período e me diverti horrores.

Meu ano novo, que é daqui a pouco, vai ser só com meu amor e o céu estrelado, hoje enfeitado com os fogos. Já começo a sentir o cheiro de ceia dos outros apartamentos, às vezes invade um perfume de alguém tomando banho, se preparando para sair para alguma festa, ou para a festa em casa mesmo. Olhando as janelas alheias, vejo televisões ligadas e uma alegria me preenche.

A noite vai ser calorenta. O céu está de um azul indescritível. Estou feliz.

Postado em dia-a-dia em Dezembro 22, 2007 por Lúcio

E é isso, estou aqui arrumando mala para ir para minha terrinha e passar esses dias com minha família querida. Meu pai já chegou do Espírito Santo, meus irmãos já estão lá e só falta o filho do meio para tudo ficar completo.

Geralmente quem prepara a ceia é meu pai assistido por minha irmã, os dois são ótimos na cozinha e sempre preparam quitutes que são lembrados ao longo dos anos. Minha mãe se preocupa mais com arrumação da casa, os enfeites e a mesa da ceia. Eu a ajudo. Nosso irmão mais velho fica à parte da arrumação, mas elogia muito tudo depois. Nosso outro irmão, o postiço, também ajuda no que puder, leva e traz alguém do supermercado e empresta sua alegria ao momento do Natal em família.

Às vezes um amigo ou outro passa o Natal conosco, de modo a “fugir” de sua própria família ou sua própria solidão. Todos os amigos são bem vindos à nossa mesa sempre e às vezes minha mãe até prepara um presente surpresa improvisado.

Temos a difundida  tradição do amigo oculto entre nós. Tradição essa que se iniciou em tempos obscuros de privações materiais e se perpetuou depois que tudo melhorou. Amigo oculto à parte, eu sempre compro presente para meus pais, já que eles têm gastos comigo e tudo o mais, gosto dessa pequena retribuição. Esse ano minha mãe então vai ganhar dois presentes.

Bom, as roupas já estão separadas, dobradas e empilhadas para entrarem na mochila. Tenho que me lembrar de tudo, carregadores, fones, cds, livro para ler na rodoviária esperando o ônibus, já que deve estar lotada, cartões, câmera… Meu amor ainda dorme e estou esperando-o para tomarmos café juntos. O tempo está abafado, mas não está calor, o que é muito bom. Ah, outra coisa para lembrar é o guarda-chuva.  Estou com fome.

Das atormentadas calçadas

Postado em dia-a-dia em Dezembro 12, 2007 por Lúcio

Coisa boa que é ver a chuva com meu amor na varanda. Essa tarde calorenta, o cansaço, a irritação do ano acumulada e vem a chuva com seus doces olores que colorem o em-volta com uma aura de suspensão.

O calor não diminuiu, o sol voltou a brilhar, mas as plantinhas tiveram o seu de-beber garantido por enquanto. É também por elas que ficamos contentes. Na rua os pegos de surpresa corriam e se protegiam embaixo de qualquer coisa.

Esses momentos proporcionam encontros que antes nunca seriam possíveis. Debaixo de uma marquise uma peruona loura e maquiadíssima dividia o espaço com um pedreiro suarento e um também suado rapaz de academia. No bar os bêbados habituais receberam a visita das estudantes uniformizadas e pareciam felizes com isso. Ao que tudo indicava, todos estavam em harmonia com todos, havia algo em comum entre eles. Um silêncio barulhento preenchia as ruas enquanto a água corria pela sarjeta sem nem se lembrar que um momento atrás era ela quem chovia.

E a chuva parou. E os grupos se desfizeram. A peruona continuou seu caminho para a loja de conserto de roupas. O pedreiro suarento saiu antes de todos e ainda pegou um pouco da chuva e voltou a descarregar os tijolos do caminhão mal parado. O rapaz tomou uma cerveja, fumou um cigarro e rumou para casa para se banhar e ir para a faculdade. As estudantes foram para o ponto de ônibus mais perto e entraram no primeiro 422 que passou, sorte delas que era com ar-condicionado.

E a vida volta. Um arco-íris tentou aparecer, mas teve preguiça. O morro está mais verde, o céu está salpicado de branco, as ruas negras e os telhados vermelhos.

“Um tico-tico mora ao lado e, passeando no molhado, adivinhou a primavera!”

Postado em Considerações, dia-a-dia em Dezembro 3, 2007 por Lúcio

E chega essa época do ano em que mais as pessoas se mobilizam para que aconteça. Gasta-se muito dinheiro com festas, presentes, roupas para as festas e acaba-se deixando mais solta a gastação. Eu gosto dessa época. Tempo de tradições serem mais uma vez reafirmadas e as famílias fortalecerem seus laços. Ou não.

Bom, lá em casa é época de todos voltarem. Quem saiu, que arranje um jeito de passar um tempo por lá, senão é tristeza e falação na certa. E estão certos, fico feliz de voltar. Não se enganem, vou para lá mais ou menos de três em três semanas, mas quando chega essa época, época de férias, de descanso, fico mais que contente em ir para a rodoviária debaixo de um calorão, com mala pesada, com pressa. A rodoviária está cheíssima, com pessoas igualmente encaloradas e apressadas. A fila no guichê sem extende pelo espaço. Pode-se ter a sorte de encontrar ônibus saindo dali a meia hora, mas o normal é ter que esperar uma hora ou mais. E naquela rodoviária tem poucos bancos, o que significa que vou ter que ler meu livro em pé.

Uma tradição lá em casa é eu e nosso irmão postiço arrumarmos a árvore, juntamente com minha mãe. Já faz tempos que é assim, e não é porque eu moro aqui no Rio que isso vai mudar. Então nesse fim-de-semana passado nos encontramos lá em casa para montarmos tudo.

O natal encaixotado O natal encaixotado

O natal montadoO natal montado