Arquivo para Novembro, 2007

Da necessidade de ser poético

Postado em Música, dia-a-dia em Novembro 30, 2007 por Lúcio

Tenho tido muita dificuldade em ser poético. Estou cansado. Ontem no ônibus comecei a chorar e quase não consegui parar. Não estou triste, é certo. Acho que é esse cansaço geral. Acordei de madrugada e não consegui dormir mais, então fiz como Clarice Lispector fazia, deu 3 e meia e ainda não consegui dormir, então me levanto, faço um café e dou a noite por encerrada.

Hoje vamos cantar o Te Deum do Pe. José Maurício, vou fazer o barítono solo. É um outro nicho que estou descobrindo, o de cantor solista. A parte é fácil, não tem nada de complicado, tudo ‘baixo de harmonia’ que qualquer pessoa que solfeje pega de primeira. Mas precisa que alguém faça e eu fui escolhido, então agradeço a oportunidade.

Fim de ano sempre me deixa muito suscetível às coisas. Emotivo. Ontem li um post da Rosana e já me emocionei. Logo após fui escutar Gaelic Blessing, de John Rutter, e a emoção veio como avalanche, passou por cima de tudo, me tomou por completo. Virei uma bolha viva, preenchida de um calor. No fundo foi bom pra eu lembrar como é ter sangue quente nas veias, estava me sentindo meio anestesiado nesses últimos tempos. Se não fosse meu amor para me irrigar as carnes e alma, eu diria estar indo no caminho de uma atrofia desse músculo.

Aqui pode-se ouvir a Gaelic Blessing, de John Rutter, e acompanhar pela partitura. Emocione-se também.

” Deep peace of the running wave to you,
Deep peace of the flowing air to you,
Deep peace of the quiet earth to you,
Deep peace of the shining stars to you,
Deep peace of the gentle night to you,
Moon and stars pour their healing light on you,
Deep peace of Christ,
the light of the world to you
Deep peace of Christ, to you.”

Das vicissitudes da vida

Postado em Música, dia-a-dia, passado condena em Novembro 28, 2007 por Lúcio

Que fim-de-ano é esse?! Ah não, preciso de férias!

Bom, pelo menos ontem foi a prova de Regência e eu passei. E isso é ótimo! Vamos ver o que nos aguarda o próximo período. A prova em si não foi assim tão difícil. Pudemos escolher qual peça faríamos, dentre os quatro movimentos da 1ª Sinfonia de Beethoven e os dois da “Inacabada” de Schubert. Fiquei em dúvida, mas acabei escolhendo o primeiro movimento do Beethoven. Quis ser o primeiro a reger para ficar logo livre. É claro que tomei meus 20mg de propranolol para beta-bloquear tudo o que fosse possível.

Esse remédio é uma coisa ótima na vida de um músico. Me foi indicado pelo meu irmão farmacêutico que, na época, tinha que tomar por causa de hipertensão. Ele me explicou que a substância não impede a produção de adrenalina, mas sim impede a sua absorção pelo organismo, então ela não tem os efeitos que me são indesejáveis. Já sofri muito com isso. Toco piano desde criancinha e toda vez que ia tocar em público minhas mãos tremiam e ficavam bambas, depois passou a me tremer as pernas e mais tarde a cabeça. E tentar não tremer me deixava mais nervoso, o que me fazia tremer mais e virava um ciclo desagradabilíssimo.

Até que fui fazer vestibular para Música e tinha que fazer o tal ‘teste de habilidades específicas’, que é fazer, além do vestibular normal, uma prova de música, com questões referentes a harmonia, solfejo, ditado musical, além de uma prova prática no instrumento de escolha, no meu caso escolhi o piano. E, na minha época, os candidatos a Regência que escolhiam piano tinham que fazer a mesma prova dos candidatos a bacharelado nesse instrumento. A saber: uma peça de autor brasileiro, uma de autor estrangeiro, um movimento vivo de sonata clássica ou romântica, um prelúdio e fuga do “Cravo Bem Temperado” e um estudo do “Gradus ad Parnassum” ou dos de Mozkovski. O que eu toquei foi, nessa ordem: A Lenda do Caboclo, de Villa-Lobos; Prelúdio em Dó sustenido menor, de Rachmaninof; o primeiro movimento da sonata nº1 em fá menor, de Beethoven; o prelúdio e fuga 21 em si bemol maior, do livro I, de Bach; e o estudo nº5 do Gradus ad Parnassum, de Clementi. Essa prova de piano foi minha maior nota. E foi para essa prova que usei pela primeira vez um beta-adrenérgico. E foi ótimo.

A gente tinha que esperar numa salinha – ah, sempre essas salinhas de espera, com suas luzes fracas, ambiente lúgubre e antiquado, com um cheiro que fica marcado para sempre. E ouvíamos a prova dos outros candidatos, o que não colabora em nada para a nossa tranqüilidade. Havia uma mesa grande onde me debruçava e tentava me concentrar na prova, mas o som dos outros me atrapalhava. Na época eu fumava, mas não se podia fumar naquele ambiente, senão teria ido facilmente meio maço de espera. Os fiscais falavam coisas, mas eu não conseguia assimilar nada. Sentia o corpo produzindo litros de adrenalina, mas minhas mãos continuavam firmes. Eu só sentia uma ansiedade e uma excitação que eram quase agradáveis, se não fosse a situação em si. Ah, são pouquíssimas pessoas que gostam de fazer prova, vai.

E eu entrei na sala, com meu papelzinho com meu nome completo, meu curso almejado e a relação de peças que iria tocar. A banca examinadora consistia de três professores. Me sentei ao piano e toquei a primeira, a segunda. No movimento da sonata, quando cheguei no fim da exposição eles me pediram para ir para a próxima, um alívio.

E toquei meu programa todo sem grandes problemas. Eu tinha estudado como nunca para essa prova, eu estava tocando muito bem. Depois de tudo, prova de leitura à primeira vista. Me deram uma partitura manuscrita para que eu tocasse ao piano sem conhecer. Foi bom, acho, não me lembro direito.

Então, para a prova de Regência ontem eu tomei o bloqueador e a batuta não tremeu. Foi bom, mas acho que já regi melhor antes. O professor chamou outro professor de regência para ser nossa ‘banca’ e depois que todos regemos fizemos uma reunião para se discutir nossa prova. A mim foi dito para que não contasse tanto compasso e regesse mais a música em si. Além de prestar atenção à contagem – houve momentos que me distraí e troquei o 1 pelo 2, mas corrigi depois.

E fomos liberados sem saber se tínhamos passado ou não. Depois é que conversei com uma amiga que esteve com o meu professor e ele disse que todos havíamos passado. Após a prova tive que ir correndo para o Fundão porque o Ensemble iria se apresentar na Jornada de Extensão. Resolvi ir de metrô, e minha cabeça continuava na prova de regência. Cheguei em Del Castilho e entrei no ônibus errado; descobri depois que passei na roleta, ou seja, tive que pagar outra passagem no ônibus certo. Chegando no Fundão, quase na porta do CCMN, encontrei uma menina do Ensemble e ela disse que já haviam cantado, que foi adiantado para todos saírem mais cedo. E eu não fui avisado. Que beleza, fiquei tão contente.

Voltei para a Escola e fui almoçar. Daí tinha que esperar até às 16h para a aula de viola. Tive aula de viola e de lá fui ensaiar o quarteto que vou cantar no dia 30. Depois fomos para a aula de canto coral e depois ensaio do Ensemble, com as quatro harpas. O ensaio foi horrível, todos cansados, irritados pelo cansaço do dia, não rendeu muito.

Bom, hoje é um novo dia e tenho que estudar musiquinhas de Natal e fazer projeto de Tecnologia Musical.

Dos satélites

Postado em Considerações em Novembro 23, 2007 por Lúcio

Caramba, eu juro pelo que há de mais sagrado que eu não sabia que ontem era dia de Ação-de-Graças! E eu lá agradecendo mil coisas. Será que estava no ar? Será que eu tenho antena wireless?

Das estrelinhas douradas que ganhamos

Postado em Considerações, Música em Novembro 22, 2007 por Lúcio

Hoje é dia de Santa Cecília, a padroeira dos Músicos. Apesar de ser músico, não sou devoto dessa santa, tampouco sou devoto de qualquer santo. Até seria interessante ser, mas não consigo ser devoto de nada nessa vida. Gostaria de homenagear o responsável por existir Música no mundo. Essa Música tem me dado tantos momentos ótimos, queria agradecer por qualquer coisa que fosse. Já me disseram que tinha que agradecer a mim mesmo, mas não é a mesma coisa. Queria que tivesse um “culpado” por isso, como a gente sempre quer um culpado externo para tudo o que acontece.

 Tenho uma pequenina imagem de Santa Cecília ao lado do monitor do computador, pode ser que me ajude em alguns momentos; pelo sim, pelo não, ela fica ali. Foi presente.

 Mas o fato é que minha religiosidade tem diminuído nesses últimos anos. Ainda mantenho alguma, mas os questionamentos aumentam e as certezas diminuem.

 Nesse ano que acaba daqui a pouco, foi quando primeiramente fui solista do coro que canto. Uma emoção inenarrável, só por isso já tenho o que agradecer até o fim da vida. Não só pela experiência em si, como fato isolado, mas também como a abertura de muitas possibilidades na minha vida. O vencimento do medo de solar, achando que minha voz não era para tanto. O convencimento de que tenho sim uma boa voz capaz de me fazer ir pra frente do palco e sorrir enquanto os olhos se voltam para mim. Sim, todo artista é narcisista. Todo.

 Também teve a minha peça na Bienal, que também foi um marco, um degrau que subi. Depois de não ter passado no concurso do Sesi-Minas e também no concurso Cláudio Santoro, a auto-confiança diminui bastante. E daí, quando menos se espera, deitado na cama à tarde vendo tv, o telefone toca e uma voz com sotaque paulistano me diz que minha peça tinha sido selecionada para a Bienal. Muito legal. E depois teve a apresentação da mesma, o que me deixou extasiado, pisando em plumas. Minha família veio para o Rio, amigos vieram prestigiar junto comigo, foi um dia especial que ficará guardado para sempre nessa cabeça tão cheia de coisas.

 E eu queria dizer “obrigado” para alguém. Por eu estar com 30 anos e fazendo o que eu mais amo nessa vida, que é a Música. Como em qualquer situação em que se sente premiado, agradeço primeiramente à minha família, ao meu amorzão, aos meus amigos, aos amores dos meus amigos, aos conhecidos, aos professores, aos colegas, a Santa Cecília, a Oxum, às iaras. E ao silêncio necessário para que a Música aconteça.

Praça da Bandeira

Dos ventos que se tem notícia

Postado em Considerações, dia-a-dia em Novembro 19, 2007 por Lúcio

E o sol voltou a brilhar por estas bandas. Ontem mesmo o dia já estava bem bonito, claro, porém ainda preservando a brisa fresca dos tempos de chuva.

Para aproveitar o belo dia, fomos passear na Quinta da Boa Vista. Sim, um programa suburbano, passear na Quinta no domingo. O lugar é muito bonito, muitas árvores centenárias, lugares para sentar e apreciar a paisagem e é ótimo para caminhar. Muitas famílias com seus rebentos correndo pelos gramados, piqueniques, bolas, e um cheiro de cachorro-quente constante no ar. Achei ter visto Dom Raphael Pascoal, O Venturoso perambulando com uma turma, mas acho que me enganei.

Lá dentro tem o zoológico que já tinha visitado quando criança numa excursão de colégio. Nem me lembrava mais de nada, além de estar tudo diferente mesmo. O cheiro característico de zoológico, inconfundível. Até que está bem cuidado. Mas desta vez fiquei com pena dos animais. Sei lá, as jaulas e gaiolas me pareceram incrivelmente pequenas. Acho que nenhum tamanho seria suficiente para que eu me tranqüilizasse (vou usar o trema até ser ameaçado de prisão, ok); aqueles pássaros, macacos, animais grandes tendo que viver naquele pequeno quadrado, não sei, não fiquei confortável. E isso nunca tinha me acontecido, já fui várias vezes a zoológicos e nunca me condoí tanto quanto dessa vez. Percebi no entanto que esses animais já estão neuróticos, não tem como ser são e viver aquela realidade, há de se fugir dela para conseguir se manter vivo. Aqueles bichos já estão loucos. Mas a experiência foi agradável, no fim das contas, não me arrependo de ter ido não. Estava com meu amor e estava tudo bem. Até vimos um casalzinho gay de mãos dadas na passarela da fauna. Essa passarela vai sobre uma grande área onde vivem capivaras, emas, galinhas d’angola e veados. A piada era óbvia, mas foi dita mesmo assim “ih, dois fugiram”. A minha real vontade era ir parabenizar os dois. Na maior, nem ligando, e as pessoas pareciam também não se importar muito não. Adorei.

Hoje o tempo parece ter firmado no sol. A cigarra canta avisando que vamos ter sol amanhã também, pelo menos. Eu estava adorando, mas era um disparate aquele frio em pleno novembro. Quem me dera ficasse daquele jeito até maio, junho.

O dia está bonito e não tenho muito a fazer. Já calejei meus dedos estudando a viola e percebi algum progresso. Tenho que estudar regência, semana que vem é a prova e não posso repetir novamente. Eu ia compor, mas o sibelius está preguiçoso hoje, não quer carregar de jeito nenhum, vou ter que fazer na mão mesmo, ou então no notebook.

O dia está bonito sim e se aproxima o fim do ano. Estão sentindo?

Panorâmica

O Sentido da Vida

Postado em Uncategorized em Novembro 17, 2007 por Lúcio

Sempre que passa “O Sentido da Vida”, do Monty Python, eu assisto de onde está até o fim, é muito bom. Hoje peguei na hora da graaaaande família de Yorkshire, que o pai se lamenta em ser católico pois não pode usar camisinha. Eu adoro o número musical, é muito bem feito! A música “Every Sperm Is Sacred” é cantada como numa cena de filme musical de Hollywood, daqueles mais ingênuos onde a ação toda pára para o número acontecer e depois se retoma de onde estava, como se nada tivesse acontecido. E eles botam pra cantar padres, freiras, bispos e santos, até cadáver! Mas a parte que eu mais gosto, e acho que a maioria também, é a parte da Morte. Ela vai buscar dois casais jantando e são envenenados pela mousse de salmão. Adoro quando Michael Palin, no papel de Debbie Katzenberg, pergunta para a Morte como poderiam tê-los todos morrido “at the same time”, fazendo uma cara de esperta. E tem também o número final “Is Christmas In Heaven” muito bem feito, imitando aqueles shows cafonas de Las Vegas ou do Moulin Rouge.

Tem também a aula de sexo, onde eles fazem sátira com o jeito nonchalant dos ingleses, até dos adolescentes. Uma aula em que o professor convida sua esposa para demonstrarem aos alunos como funciona um intercouse. E os alunos assistem meio entediados, como quem vê um experimento de química, ou algum slide de biologia. Um presta atenção no jogo de rugby, o outro brinca com uma ocarina e assim a aula prossegue, mas tem um casal transando na sala, for Christ sake! Mas a eles não causa muita espécie.

O tempo todo, não só nesse quadro, eles gozam do jeito de viver inglês, todos muito civilizados e achando tudo muito natural. Eles adoram falar disso, desde o programa na televisão.

Olha só, foi assim:

Postado em Considerações, Música, dia-a-dia em Novembro 15, 2007 por Lúcio

Combinamos de nos encontrar nas barcas às 7h30, para tal eu acordei às 6h, tomei café e banho super rápido para sair às 7h de casa e chegar no horário. Outras pessoas acordaram ainda mais cedo. Com exceção dos que iriam direto, que era a minoria, estávamos todos lá na Praça XV de Novembro. Pegamos a barca, depois o ônibus para ir ao Centro de Artes da UFF. Assustamos as pessoas com nossas roupas pretas, nossa cantoria pode ter sido inconveniente para quem era de fora.Chegamos no Centro de Artes. Após um pequeno momento de chegada e ajuntamento do coro num único lugar, começamos o relaxamento e aquecimento. Após isso tínhamos algum tempo para nos arrumarmos, as mulheres queriam se maquiar e ajeitar seus cabelos e colocar suas echarpes e seus sapatos altos. A gravação estava combinada de começar às 9h30. Ao chegar no teatro vimos que a equipe técnica ainda estava montando os equipamentos, as luzes e microfones, e muitos instrumentismas ainda não haviam chegado.

Os ensaios começaram às 11h, com direito a cara feira de maestrina e de olhares reprobatórios dos instrumentistas. Aqui eu faço uma pequena ressalva para quem quer que leia isso aqui, nunca, NUNCA faça uma diferenciação de cantores e instrumentistas dizendo “os cantores e os músicos”, ouviram bem? Nunca. Somos todos músicos. Talvez não se saiba fora do meio musical, mas os cantores, principalmente de coro, são muito mal tratados, como se fosse um músico “menor” ou menos qualificado. Para quem pensa assim eu só peço para pensarem no Requiem de Brahms, no Requiem de Mozart, no Messias de Haendel, no Carmina Burana de Orff, na Nona Sinfonia de Beethoven e pensem na importância do coro nessas obras. Então, acho que deu para perceber que se o coro não estiver bem a obra não funciona.

Pois bem, fomos realmente gravar já devia ser quase meio-dia. Fizemos um bolão para quantas vezes iríamos repetir. Todos erramos para menos. A obra começa com um solo de  contra-fagote, e o cara parecia que tinha recebido a parte dele hoje, porque errava demais, cheio de inseguranças nas articulações e até umas notas meio esquisitas. Por causa dele já foram umas três. Bom, as coisas não estavam funcionando muito bem, demorou muito até chegarmos na nossa entrada. São 129 compassos de espera.

Finalmente cantamos. Logo no começo da nossa parte tem um salto de 9ª. menor, do dó 2 ao ré bemol 3, é um salto difícil e estávamos acertando, mas tinha um regente assistente que cismou que estávamos errando, e pararam as gravações e vem a regente passar só esse intervalo conosco. Só que estávamos acertando! No fim ela disse que melhorou e pudemos prosseguir.

Por duas vezes a regente nos deu “bravos”. Quando fomos passar a terceira já era uma e meia da tarde, no meio da música um contralto desmaiou. É óbvio, estava demorando! Estava quente como o banheiro do inferno, estávamos sem comer desde às 6 da manhã. Mas o pior era o calor, aqueles holofotes de gravação em cima da gente, e todos de preto, estava muito quente. Uns minutos de comoção, levaram a menina para fora e acharam por bem só gravarmos os agradecimentos finais para podermos ir embora. A filmagem foi sem público, mas eles iam enxertar uma platéia depois, então gravaram o que seria o fim do espetáculo, com agradecimentos, saídas e reentradas das regentes e do solista, mas tudo em silêncio, como se estivéssemos sob uma ovação ruidosa. Uma sensação curiosa.

Cheguei em casa às 15h com uma dor de cabeça colossal. Nem tive ânimo de sair para comer, ataquei os pães de forma mesmo e resolvi esperar até o lanche da tarde. Agora é só quinta-feira que tenho compromisso, feriadaço mesmo.

Brasilidades

Postado em Considerações, Música em Novembro 14, 2007 por Lúcio

E hoje foi o ensaio da peça que vamos gravar com a Orquestra Sinfônica Nacional amanhã. Coisa boa que é cantar com orquestra. Mesmo com o ambiente tenso que a maestrina proporciona nos ensaios ocorreu tudo bem. Ela sabia que nos havia dado uma partitura sem a parte instrumental, não tínhamos as deixas e tudo o mais. A partitura sequer veio com caráter, andamento e dinâmica, são só as notas mesmo.

A música em si é meio fraquinha. A compositora só me era conhecida de nome, Eunice Catunda, que agora sei ter sido importante na nossa história musical, juntamente com Esther Scliar e os compositores do Movimento Música Viva, criado por Koellreuter. O texto é um excerto da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. A prosódia não é das melhores, mas a música funciona no fim das contas. Gostaria de conhecer mais coisas dela.

Amanhã é a gravação lá no Centro de Artes da UFF. Todos de preto. Homens de terno preto, camisa preta e gravata escura, mulheres de vestido longo preto e sapato fechado, é imprescindível que se cubram os ombros. Encontrar-nos-emos nas barcas para Niterói às 7h30 da manhã e seguiremos todos juntos.

Meus dedos doem de tanto estudar viola. E não está do jeito que eu acho que tem que ser. A prova foi marcada para o dia 3/12, começo a ficar nervoso.

Dos arcos, dos verdes e dos olhos acinzentados de minha mãe

Postado em Uncategorized em Novembro 12, 2007 por Lúcio

Nesse fim-de-semana fui para minha cidadezinha visitar meus familiares que continuam e/ou que voltaram para lá.

Saí da faculdade às 20h45 e fui para a rodoviária, consegui pegar o ônibus das 21h. Todo contente sentei no meu lugar, um dos últimos, no corredor, pluguei-me ao meu ora indispensável tocador de mp3 e segui feliz e encalorado para uns dias calmos na minha cidadezinha à beira do que foi, um dia, um dos principais rios do Brasil. Antes navegável em quase toda sua extensão, continua belo, mas assoreado e poluído. Uma bonita imagem se obtém indo, ao por-do-sol, para a ponte que o cruza e observar o rio se incendiar com o sol que o atinge, afunda, não sem antes deixar a todos incandescentes e com os corações aquecidos.

Acidente na estrada. Não com meu ônibus, graças aos deuses. Mas o trânsito todo parado, por uma hora. Não confundam ‘parado’ com ‘lento’, aqui digo parado pra significar “parado”. Pa-ra-do. O motorista desligou o motor e saiu. E ficamos todos ali, à mercê de guinchos e polícias que iam e vinham. Uma hora de calor e impaciência. Escutei todos os “Quados de Uma Exposição”, tanto a versão pianística como a orquestração feita por Ravel, e toda a sinfonia nº. 6 de Tchaikovski. Depois do tempo citado todos reentraram para seus lugares – sim muitas pessoas haviam saído para tomar uma fresca do lado de fora, uns foram fumar, me lembro como era ficar sem fumar por mais de duas horas – e o ônibus seguiu, forçando o ar fresco da madrugada a novamente preenchê-lo, nos refrescando um pouco.

Saltei bem em frente à minha casa, minha vizinha estava no mesmo ônibus. A chegada em casa foi ótima, como sempre. Todos estavam presentes, inclusive nosso terceiro irmão, e acordados. Chegaram mais amigos e ficamos até tarde conversando.

Descobri que não tenho mais paciência para a que foi minha melhor amiga. Simplesmente não agüentei tanta doença num curto espaço de tempo. Nem minha irmã agüentou. Tem o agravante dessa minha amiga estar um tanto quanto alta, no que tange o nível alcoólico no sangue. Pode ser por isso que estava tão melosa. Mas só falava no tal homem que ela estava apaixonada e que não queria nada com ela. Tudo bem, não foi muito generoso da minha parte sair da mesa, mas já fui muito generoso com ela, a despeito do meu próprio bem-estar. Minha vontade era de dizer verdades, mas ela estava bêbada, não ia se lembrar de nada.

A cidade estava mais fresca que essa capital que vivo atualmente. Não tirei fotos. Minha irmã está curtindo sua nova fase de solteira, depois de 10 anos de casamento, nem ficou muito tempo em casa. Meu irmão veio para o Rio.

Às vezes tenho uma sensação de despertencimento à minha cidadezinha natal. Às vezes esse sentimento é ruim, às vezes não. Com o Natal chegando começam os planos de enfeite e de festas, é um período que gosto muito, que me remete a uma fase ótima da minha existência nesse planeta.

Nesse fim-de-semana fui à minha cidadezinha e plantei em mim algumas violetas. Florescerão no seu devido tempo. E minha cidadezinha cresce, mas encontra espaço suficiente em mim.

Cota diária

Postado em dia-a-dia em Novembro 8, 2007 por Lúcio

E o dia hoje vai ser puxado. À tarde combinei com um amigo de ensiná-lo a usar um programa que faz, entre outras coisas, síntese de som, que é o que estamos estudando nesse período. É um daqueles programas que tem tantos recursos que você acaba se perdendo no meio de tantos objetos. A interface é até “friendly”, mas tem muita coisa pra mexer, espero me lembrar da maioria.

Se der tempo vou da casa dele pro ensaio da orquestra, senão fico lá até a hora de irmos pro ensaio do Ensemble. Recebemos a música nova que vamos gravar com a orquestra de Niterói. Chaaaata… Erros de prosódia crassos. E tudo meio “frouxo”, sei lá, vamos ver com a orquestração como fica. Por essa e por outras coisas o ensaio do Ensemble deve ir até às 21h. Depois é só voltar pra casa e ver qual a música que não vai me deixar dormir hoje.